domingo, 13 de dezembro de 2009

Motivo de ausência



Voltei, voltei, voltei de lá... ainda há poucos dias estava em França e agora já estou cá!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Segredo revelado




O que eu näo entendo é o motivo de perderem horas e horas a maquilhar um rabo para que pareça perfeito quando há por aí milhöes deles que näo precisam nem de um retoque e säo muito melhores que os das modelos. Será que só eu os vejo ou ando a ver mal?

 "O segredo da marca mais famosa de lingerie foi finalmente revelado: chama-se make-up de rabo. A conhecida firma americana contrata as melhores modelos do mundo e fá-las desfilar por Nova Iorque numa estratégia de marketing incomparável. Mas se os "Angels" parecem perfeitos e se a perfeição não existe, há alguma coisa que não bate certa.

Para terem a pele perfeita, as modelos da Victoria's Secret são cuidadosamente maquilhadas no...rabo. E, num instante, todas as imperfeições são disfarçadas.

"Trata-se de criar a ilusão de um corpo perfeito e maravilhoso na passerele. As pessoas não percebem que há vinte camadas de maquilhagem no meu rabo", disse Selita Ebanks, uma das modelos da marca.

Os Anjos demoram cerca de uma hora no trabalho de make-up do rabo, à qual se juntam entre três a cinco horas, entre cabeleireiros e maquilhagem de rosto. A equipa é composta por 38 profissionais."

In jornal I


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Tratado de Lisboa - mudanças para o futuro


Com a aprovação por todos paises do Tratado de Lisboa convém saber as principais mudanças que nos irão afectar directa ou indirectamente no futuro. Aqui estão algumas das principais mudanças:



O direito de petição

A partir de agora, os cidadãos dos vários Estados membros podem juntar-se para obrigar a Comissão Europeia a propor legislação sobre uma matéria que consideram importante. O tratado fala apenas em nacionais de um número significativo de Estados membros. O mínimo de pessoas para pôr em andamento uma petição deste género é de um milhão. Nada difícil de conseguir, na era dos fóruns sociais na Internet, como o Facebook ou o Hi5. A medida visa combater o défice democrático na UE.


A perda de peso nas votações do Conselho

A partir de 2014 passa a haver uma nova ponderação de votos assente numa dupla maioria de 55% de países que somem 65% da população da UE. Em consequência disso, Portugal terá menos peso nas decisões. No actual esquema, previsto no Tratado de Nice, Portugal pesa 3,4% em cada votação, tem 12 votos e são necessários 88 para bloquear uma decisão. No futuro, para travar uma decisão, necessitará de coligações maiores. Com dez milhões de habitantes, Portugal pesa apenas 2% nas votações do sistema proporcional. A votação por maioria qualificada passa a ser a regra, estendendo-se a 40 áreas, como justiça e assuntos internos. A unanimidade mantém-se, porém, em matérias fiscais, por exemplo. Alemanha, França e Reino Unido terão maior facilidade em formar alianças.


A manutenção do comissário português

Após negociadas as garantias para a Irlanda, a UE permitirá que cada país mantenha o seu comissário europeu. Nice e Lisboa, antes do compromisso com a Irlanda, obrigava à redução e a um sistema rotativo, por uma questão de eficácia, uma vez que a UE tende a aumentar e não há pastas para atribuir a todos os Estados membros. O português Durão Barroso foi reeleito presidente da Comissão até 2014. Depois disso, Portugal voltará a ter direito a um comissário. E tudo graças à pressão dos eleitores irlandeses, que só aprovaram o Tratado ao segundo referendo.


Maior fiscalização por parte da Assembleia

Os parlamentos nacionais terão mais poderes para fiscalizar o princípio de subsidariedade, ou seja, garantir que a UE só intervém em certas áreas quando os países não conseguem resolver as questões. Assim, os deputados da Assembleia da República continuarão a avaliar as propostas de legislação comunitária, vendo o prazo para o fazerem alargado de seis para oito semanas. Além disso, quando um terço dos parlamentos dos 27 países da UE acharem que é preciso rever uma proposta legislativa, podem reenviá-la à Comissão Europeia.


A perda de liderança nas presidências da UE

Portugal, quando voltar a exercer a presidência rotativa da UE, dentro de 15 anos, já não vai ter o primeiro-ministro a liderar o Conselho Europeu e o chefe da diplomacia a chefiar o Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros. Isto porque o Tratado de Lisboa cria dois novos cargos, o de presidente permanente do Conselho, com mandato de dois anos e meio, renovável uma vez, e o de Alto representante para a Política Externa e de Segurança, que é ao mesmo tempo vice-presidente da Comissão. Os nomes escolhidos para ocupar os cargos pela primeira vez foram o belga Herman van Rompuy e a britânica Catherine Ashton. Esta opção foi tomada para criar uma representação estável da UE a nível externo. A nível das outras formações do Conselho de Ministros continua a haver presidências rotativas de seis meses.


A hipótese de sair da União Europeia

Os Estados membros vão ter, pela primeira vez, a possibilidade de entrar e sair na União Europeia consagrada num tratado. É uma cláusula que foi herdada do defunto Tratado Constitucional Europeu e era considerada como uma das suas maiores inovações. Assim, quando alguém em Portugal fizer como o ex-ministro da Agricultura Jaime Silva, que perguntou aos agricultores se queriam sair da UE, no meio de uma discussão, os cidadãos já podem responder que 'Sim'. Muitos críticos do Reino Unido já chegaram a sugerir que este país eurocéptico poderia ser o primeiro a fazer uso desta nova medida.


O respeito pelos direitos fundamentais

A Carta dos Direitos Fundamentais, assinada em 2000, passa a ter carácter vinculativo, obrigando, por isso, a UE a respeitar os direitos fundamentais dos seus cidadãos na legislação comunitária. Apesar de não estar fisicamente dentro do tratado, foi proclamada em Estrasburgo, em 2007, e consta numa declaração anexa. Reino Unido e Polónia obtiveram derrogações neste capítulo, um por não querer que direitos como o da greve sejam impostos a partir de fora, outro por não quer flexibilizar o direito ao aborto e dar mais direitos dos homossexuais. No mês passado, numa manobra de última hora, a República Checa conseguiu também a garantia de que não será obrigada pelo Tribunal Europeu das Comunidades, no Luxemburgo, a devolver terras confiscadas aos alemães sudetas na II Guerra Mundial. Este tribunal vai também ver se as leis nacionais na área da justiça e assuntos internos estão em conformidade com o direito comunitário. Também aqui há derrogações, para o Reino Unido e para a Irlanda.


Integrar uma Zona Euro com mais peso

O euro, moeda única, é um bom exemplo de como a UE a duas velocidades pode funcionar. Portugal integra desde o início o pelotão da frente nesta matéria e é um dos 16 países que actualmente pertencem à zona euro. O Eurogrupo, grupo de ministros das Finanças desses 16 Estados, vai ser formalizado pela primeira vez e ter um presidente com um mandato de dois anos e meio, renovável uma vez. Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro e ministro das Finanças do Luxemburgo, que já é o presidente do Eurogrupo, deve ser hoje escolhido para este mandato permanente que cria o tratado. A reunião surge depois de ontem, em Bruxelas, os ministros das Finanças dos 27 terem dado até 2013 para que Portugal equilibre o défice. As actuais regras europeias admitem um máximo de 3% e o país ultrapassa actualmente esse valor.


Menos eurodeputados mas com mais poder

O Parlamento Europeu vê o seu número de deputados limitado a um número máximo de 750, mais o presidente. Portugal passa a ter 22 deputados na legislatura de 2009--2014, quando tinha 24 na anterior. Estes terão, porém, mais poder, uma vez que o Tratado de Lisboa alarga as áreas de co-decisão. Assim, os eurodeputados serão parceiros do Conselho e da Comissão na aprovação de leis, em áreas como o direito de asilo, espaço Schengen ou cooperação judiciária. E controlarão em cerca de 95% a legislação comunitária.


Ajudar e ser ajudado em caso de catástrofe

O Tratado de Lisboa cria uma cláusula de solidariedade entre os Estados membros da União Europeia, para que haja uma reacção rápida perante determinadas situações, como catástrofes naturais ou ataques terroristas. A regra é que, perante cenários e ameaças deste tipo, os 27 ajam e respondam em conjunto

in Diário de Noticias

Dia da Restauração da Independência


Neste dia em que celebramos, ou melhor, deviamos celebrar a nossa independência, pois quase não se dá nenhum valor a este dia, creio que devemos dar palavra aos descendentes da nossa liberdade. Um dia que vivam em Espanha sentirão melhor a força deste dia.

"D. Duarte Pio de Bragança, descendente directo do rei Restaurador do 1 de Dezembro de 1640, queria ver restauradas em Portugal a auto-estima e a capacidade de dedicação e serviço generoso.

Correio da Manhã – O que considera, hoje, mais importante restaurar em Portugal?

D. Duarte Pio – A auto-estima dos portugueses, que está muito por baixo. O raciocínio lógico que tanto caracterizava as nossas gentes, mas foi abandonado pelo sistema escolar completamente desadaptado das necessidades da juventude. E a capacidade de dedicação e serviço. Temos de perceber que, se não servirmos a nossa pátria com generosidade, perderemos o que melhor nos defende. Não podemos entregar o nosso destino aos estrangeiros.

– Pensa que Portugal está em perigo com a União Europeia?

– Sim, e sob vários aspectos. O primeiro é haver dentro da UE quem, traindo os objectivos comunitários iniciais de uma confederação de estados europeus, queira avançar para uma república federal europeia, em que cada estado-nação passa a ser representado por um governador igual aos que existem nos EUA ou no Brasil. Este desígnio federativo é contrário aos interesses de Portugal, mas há muitos que o defendem. Tal como há outros que dizem que Portugal devia fazer parte da Espanha e agem, de facto, nesse sentido.

– Esse perigo ameaça igualmente repúblicas e monarquias na UE?

– Não, só o vejo nas repúblicas. A grande angústia que sentimos em Portugal em relação à nossa independência é um problema que não existe em países como a Holanda, a Bélgica, a Dinamarca, nem mesmo no Luxemburgo, onde no topo do estado estão os meus primos grão--duques e 25% da população activa são portugueses. Pelo contrário, em Itália sentem-se riscos graves para a unidade nacional.

– Que vantagem há em ter um rei?

– Na Monarquia, quem está no topo das instituições nacionais é um juiz independente que nunca é suspeito de tomar atitudes a favor ou contra qualquer dos partidos políticos que disputam o voto e governam.

– Mas também há escândalos como o caso Loockeed na Holanda…

– Só que a reacção das pessoas é diferente. Os holandeses apoiaram a rainha que, coitada dela, tinha de aturar um marido que se metia em confusões. Mas foi diferente de quando há um ministro que recebe comissões pelos aviões que compra.

"HÁ INTERESSE EM QUE A JUSTIÇA NÃO FUNCIONE"

CM – A Justiça preocupa-o?

D. Duarte Pio – Sim, porque as leis que regem a Justiça estão muito mal feitas e favorecem sempre o infractor. Além disto é claro que a Justiça não tem meios. Há juízes que têm de ir trabalhar para os seus automóveis por falta de espaço próprio nos tribunais. Assim é difícil ter a Justiça a funcionar. E há quem tenha interesse em que a Justiça não funcione.

– E como vê a situação no ensino?

– Aí o que mais me preocupa é o total abandono do raciocínio lógico que devia estar na base de todo o ensino. Não se aprende a escrever com lógica, inteligência, criatividade e graça. E, quando não se escreve bem, o natural é que também não se pense bem. Temo que persista aquela péssima ideia de que as pessoas não precisam de pensar porque os governantes pensam por elas.

– Vê essas carências nos estudos dos seus filhos?

– Na verdade, não sou capaz de acompanhar o estudo do português dos meus filhos, de tão estranho ele se tornou. Tenho esperança na nova ministra da Educação que é uma pessoa inteligente e culta. O grande problema é que hoje, como no tempo do dr. Salazar, qualquer pessoa que critique é vista como um incómodo.

"CONJURADOS PENSARAM CRIAR UMA REPÚBLICA"

CM – Como vê o 1.º de Dezembro?

D. Duarte Pio – Foi um acto de afirmação do povo português, farto de ser governado por estrangeiros. Quando o primeiro rei Filipe tomou a coroa, disse que os dois países se mantinham independentes. Rapidamente se viu que isso era falso e que Portugal estava ao serviço da estratégia de Espanha. Foi sempre assim. Bascos, catalães, galegos e andaluzes queixam-se também do centralismo totalitário castelhano, de Madrid, em relação a toda a Península Ibérica.

– Porque hesitou o duque?

– Ele mostrou grande prudência porque sabia que, no caso de falhar, seria decapitado. E à sua família aconteceria o mesmo. Havia também o problema de, se a revolução nacional falhasse, demorar muito tempo até ser possível fazer outra. Mas assumiu todas as responsabilidades. Era descendente directo de D. Afonso Henriques por via masculina e com ele se retomou a sucessão dinástica.

– Era sucessor incontestável?

– Os conjurados pensaram também em criar uma república em Portugal como a de Veneza ou a holandesa, porque era um regime em voga como se viu com Cromwell. Consideraram, porém, que a república não teria força suficiente para resistir a Espanha.


DEFENESTRAÇÃO NA RIBEIRA

O principal acto dos conjurados na Restauração, a 1 de Dezembro de 1640, foi a morte e a defenestração de Miguel Vasconcelos (1590--1640), um nobre português que desempenhava funções de secretário de Estado da duquesa de Mântua, vice-rainha de Portugal, na dependência do rei de Espanha. O seu lançamento por uma janela do Paço da Ribeira foi o sinal de que a revolução nacional era vencedora. Como se sabe, não foi tarefa fácil. Os conjurados demoraram a descobri-lo dentro de um grande armário, onde se refugiara com uma arma. Não lhe valeu de nada. Foi crivado de balas antes de ser defenestrado."

João Vaz in Correio da Manhã

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Que bem se está no campo...


Depois de uns dias relaxando no inverno de Coimbra chegou o dia de voltar a Madrid. Levo mais uma vitória da Briosa, a noção de que neste pais nada muda e uns quilitos a mais de tanto comer.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Dedicatória

Mais que uma cadela, uma alegria na vida de quem estava com ela.
Descansa em paz Nanita

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Beautiful, Dirty, Rich

Esta lady de "gaga" não tem nada...





Cuidado com as redes sociais


Já há algum tempo que tenho avisado os meus conhecidos para terem cuidado com as questões de privacidade das redes sociais, sobretudo do facebook. Aqui está mais uma prova disso...


"Fotos na praia e numa festa, divulgadas na web, foram suficientes para Nathalie Blanchard perder o direito à sua baixa por depressão. Depois de partilhar as imagens no Facebook , a funcionária da IBM no Canadá, que estava afastada do trabalho há um ano, ficou sem o direito ao dinheiro pago mensalmente pelo seguro de saúde.

Os administradores do seguro encontraram as fotos na rede social e consideraram "ser visível que Nathalie Blanchard já não está deprimida". Pelo contrário, "parece muito divertida", diz a seguradora. A mulher alega que foram os médicos a aconselha-la a sair e se divertir para inverter o processo de depressão e já anunciou que vai tentar reaver o direito à baixa.

O perfil da canadiana no Facebook não estava configurado de forma a ficar "privado", o que levou a que a seguradora conseguisse chegar às suas imagens pessoais."

in Expresso.pt

Tem mas é vergonha!!


"O governador do Banco de Portugal (BdP), Vítor Constâncio, afirmou hoje que será necessário pôr em prática novas medidas até 2013 para controlar o défice orçamental, que podem passar por um aumento dos impostos." in Expresso

Se reduzisses o teu ordenado que é um dos 10 maiores de todos governadores de bancos centrais no mundo e te dedicasses ao teu trabalho que é controlar e evitar casos como o do BPN (que vai custar aos portugueses menos hospitais, escolas, lares, jardins, etc.) e do BCP se calhar hoje não tinhamos défice.

Esta justiça não é para tolos


Passados oito dias, permanece instalada a grande confusão político-jurídica (sobretudo jurídica) sobre as escutas telefónicas entre José Sócrates e Armando Vara, interceptadas e gravadas no âmbito da investigação 'Face Oculta'. Oito dias depois, o anunciado esclarecimento do procurador-geral não chegou e tem sido substituído por uns comunicados debitados a conta-gotas e que, de tão cuidadosamente redigidos, apenas conseguem aumentar a incompreensão geral. Mesmo o professor Costa Andrade, autoridade quase suma em matéria de direito criminal e processual criminal, deixou-me ainda mais baralhado depois de ler o seu artigo no "Diário de Notícias".

Tudo lido e relido, não alcancei ainda: a) - se a autorização para escutar e gravar o PM, apanhado 'por contágio' no telefone de Armando Vara, deveria ter sido dada prévia ou posteriormente, após a primeira intercepção; b) - se essa autorização pertencia ao presidente do Supremo ou à secção criminal do tribunal; c) - se há ou não recurso dela; d) - se o PGR, ao receber as "certidões" contendo as escutas, deveria tê-las logo despachado ou antes enviado ao presidente do Supremo para que este as despachasse, como fez; e) - se, recebido o despacho do presidente do Supremo, tem também ele de despachar ou não tem, e se está ou não obrigado a seguir o teor do despacho recebido; f) - se tem ou não prazo para o fazer; g) - se o despacho do presidente do Supremo declarando "nulas" as escutas é ou não válido; h) - se vale apenas para as escutas já realizadas ou também para futuras; i) - se, mandadas por este destruir as "certidões", devem ser destruídas apenas as cópias das gravações que vinham juntas ou também os originais.

A confusão e a trapalhada jurídica são totais e indecifráveis, tanto que os próprios 'mestres' estão longe de se entender entre si e os jornais transformaram-se em apêndices das melhores sebentas de direito processual criminal. O que, todavia, não esclarece ninguém. Já, politicamente e como aqui previ a semana passada, o juízo do 'povo' está feito e basta consultar alguns blogues e comentários às notícias para o aferir: o PGR e o presidente do STJ arranjaram forma de entre os dois mandarem para o lixo as escutas "comprometedoras" envolvendo o PM.

Convicção tanto mais enraizada quanto se fez saber que o procurador e o juiz do processo concluíram ambos pela existência de suspeitas de cometimento do "crime de atentado contra o Estado de Direito", fundamentado na audição das referidas conversas. E o qual - fizeram-nos saber também - se terá consumado através de uma ou mais conversas onde Sócrates e Vara terão falado sobre o futuro da TVI. Logo, sigam o raciocínio: se o PM fala sobre o futuro da TVI é porque queria interferir nele; e, se queria interferir nele é porque queria silenciar o "Jornal de Sexta", que estimava, e, aliás, com razão, ser um jornal ad hominem, dirigido contra ele; logo, se queria silenciar o "Jornal de Sexta" é porque queria atentar contra "a liberdade de informação"; e, logo, se era isso que no fundo queria, estava a atentar contra o Estado de Direito.

Sem embargo de já aqui ter escrito o quanto me cheira mal esta 'Face Oculta' e a sensação que tenho de que, desta vez, a investigação foi muito bem conduzida, confesso que esta excrescência lateral do crime de atentado ao Estado de Direito, descoberto entre as escavações da 'Face Oculta', me deixa um pouco perplexo. É que, lendo o texto da lei, parece-me claro que o legislador quis contemplar coisas bem mais graves do que a eventual conversa privada de um primeiro-ministro acerca da venda de um órgão de informação privado. A mim parece-me que na cabeça do legislador estavam coisas mais sérias, como um atentado ao Presidente, o sequestro do Parlamento, sei lá, talvez um golpe de Estado.

Mas, mesmo admitindo que nessa conversa privada José Sócrates tenha desabafado com o amigo Vara o quanto gostaria de ver acabado o "Jornal de Sexta", se isso é crime de atentado ao Estado de Direito, então o que dizer da afirmação (pública e não privada) da drª Manuela Ferreira Leite, desabafando o quanto gostaria de poder suspender a democracia e as liberdades por seis meses?

Entretanto, e como vem sendo hábito, no meio de tudo isto, continua a passar-se ao lado de uma questão, a meu ver, essencial ao Estado de Direito: a banalização das escutas telefónicas. Aquilo que deveria ser um meio de investigação acessório e excepcional - pela violência que representa a devassa da intimidade da correspondência de cada um - tornou-se não apenas o meio habitual de investigação mas o principal, quando não único.

Se a PIDE ressuscitasse hoje não ia acreditar que aquilo que então representava um dos mais denunciados abusos do regime ditatorial se transformou hoje no meio por excelência de investigação criminal em democracia.

Não digo que tenha sido o caso, nesta investigação, mas a importância que rapidamente adquiriram as escutas onde intervém José Sócrates mostra até que ponto as pessoas passaram a aceitar tranquilamente que os fins justificam quaisquer meios. E fico siderado quando oiço deputados do PSD afirmarem que, a fim de "esclarecer tudo", José Sócrates deveria, ele próprio, divulgar o conteúdo das conversas privadas que lhe foram escutadas.

Apesar de tanto o presidente do Supremo como o procurador-geral da República serem de opinião que ele não é suspeito de crime algum e apesar de se saber que apenas foi escutado por arrasto. Sim, eu sei que vivemos tempos em que a devassa e até a auto-exposição da privacidade é fomentada e, às vezes até, paga pelos media. Mas é claro que ninguém está interessado em conhecer o teor das escutas feitas ao sr. Anatoli Kirilenko, putativo chefe de uma rede da máfia do Leste, em Portugal: o que a turba quer é conhecer o conteúdo das conversas e da intimidade dos 'famosos' ou poderosos. Porque, quanto mais não seja, isso já é um castigo por serem famosos ou poderosos.

E é por isso que já vimos integralmente publicadas em jornais o teor de conversas escutadas a 'suspeitos' famosos que, afinal, nem sequer viriam a ser pronunciados em juízo. E é por isso que, a propósito dos métodos investigatórios seguidos no 'caso Maddie', o "Times" comentou, com espanto, que, em Portugal, a investigação criminal ainda se baseava no princípio da auto-incriminação dos suspeitos: ou através de escutas ou através da confissão.

Porém, o óptimo é inimigo do bom. O que a turba quer a justiça não pode querer, sob pena de se automutilar. A 'pista' José Sócrates/atentado ao Estado de Direito outra coisa não vai conseguir do que perturbar o decurso das investigações da 'Face Oculta', semear a confusão e desviar as atenções do essencial. Tem sido sempre assim: suspeitas de crimes com alguma tangência no mundo político são invariavelmente apropriadas como matéria política pelos media e pela opinião pública e com o contributo decisivo da própria justiça - fomentando, sem vergonha alguma, as 'fugas' que lhe convém para a imprensa. E, no final, tudo acaba invariavelmente no mesmo desfecho: o arquivamento judicial e a condenação na praça pública. Por uma vez, seria bom que a 'Face Oculta' não viesse a ser mais do mesmo.


Miguel Sousa Tavares. Texto publicado na edição do Expresso de 21 de Novembro de 2009

Roubar compensa. Insultar é crime.


Mais uma história da nossa justiça. Vemos diariamente na televisäo e jornais grandes empresários e politicos sairem imunes de crimes cometidos e depois vamos conhecendo casos de humildes cidadäos que só por irem um domingo ver um jogo de futebol e expressarem a sua insatisfaçäo com o trabalho do árbitro, com insultos normais no mundo do futebol,  säo condenados por esse "crime" altamente prejudicial à sociedade. É que näo havendo provas, em Portugal o que diga um agente de autoridade é sempre verdade. Sim, eles säo cidadäos exemplares.



"Adepto condenado por insultar polícias e árbitro. Tribunal de Gaia obriga técnico de telecomunicações a pagar 900 euros de multa.

Insultar árbitros e polícias mesmo durante o calor de um jogo de futebol pode ser crime. Que o diga um técnico de telecomunicações que acabou condenado pelo Tribunal de Gaia por injúrias a quatro elementos da GNR, que se sentiram ofendidos.

O caso aconteceu no contexto de um jogo de futebol ocorrido no campo do Serzedo, em Gaia, a 18 de Janeiro passado. O arguido, de 26 anos, foi julgado no 1.º juízo criminal de Gaia, pela mesma juíza que, em Maio, absolveu o presidente do F. C. Porto, Pinto da Costa, das acusação de corrupção desportiva, no âmbito do caso do "envelope".

No final do julgamento, a juíza condenou o técnico de telecomunicações a uma multa de 900 euros que, se não for liquidada ou substituída por trabalho a favor da comunidade, pode resultar em 120 dias de prisão.

Em causa esteve concretamente o facto de, no final do jogo de futebol com o Vilanovense, quando os árbitros caminhavam em direcção ao balneário, acompanhados dos elementos da GNR, o adepto ter dito, segundo foi dado como provado na sentença: "Vós os GNR sois uns corruptos porque guardais esses f..." Os soldados da GNR fizeram queixa, alegando terem sido "vexados e humilhados" no campo de futebol, perante outras pessoas. Na sequência dos insultos, os agentes da autoridade chegaram a agarrar o adepto e a arrastá-lo para o túnel de acesso aos balneários.

O indivíduo alega que, nesse momento, foi agredido pelos militares da GNR, mas o Ministério Público acabou por arquivar a sua queixa.

Ouvido no julgamento, o técnico de telecomunicações, que declara ganhar 530 euros mensais, negou ter insultado os quatro queixosos, pertencentes ao posto da GNR de Arcozelo, em Vila Nova de Gaia. Porém, para a juíza, a sua versão não mereceu crédito, uma vez que os elementos da GNR coincidiram integralmente na descrição da expressão insultuosa.

Aquele indivíduo acabou por ser condenado, por quatro crimes de injúrias, a multa de 450 euros cada um.

Em cúmulo jurídico a multa foi fixada em 900 euros. Segundo a juíza, poderá ser substituída em trabalho a favor da comunidade ou em 120 dias de prisão efectiva."

NUNO MIGUEL MAIA in JN

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Let's talk about sex baby...


Bem mais activos que os japoneses, que em média fazem sexo apenas 45 vezes por ano, e também acima dos espanhóis (104), mas atrás dos gregos que lideram destacados em fogosidade (138 vezes ao ano), os portugueses fazem amor 108 vezes por ano, o que dá uma média arredondada de duas vezes por semana.

As conclusões, publicadas na edição desta quinta-feira do jornal Diário de Notícias, fazem parte de um estudo promovido, em 2005, pela marca de preservativos Durex, sobre os hábitos sexuais num total de 41 países, envolvendo 317 mil inquiridos.

Mercê da sua performance, Portugal ocupa o 18.º lugar no ranking dos países analisados, facto que, ainda assim, não impede que os portugueses se sintam tão insatisfeitos com a sua vida sexual quanto os japoneses (24%).

De acordo com o estudo, apenas 33% dos nacionais dizem estar satisfeitos com a sua vida sexual, o que representa uma taxa inferior à média dos 41 países (44%), ficando ainda abaixo da dos espanhóis (48%).

No conjunto de todos os países, os homens são quem menos se conforma com a frequência das suas relações sexuais: 41% gostaria de o fazer mais vezes, um valor claramente acima dos 29% de mulheres com a mesma reclamação.

Em Portugal, 19% dos homens e mulheres em conjunto gostaria de ter uma vida sexual mais activa.

Contudo, apesar das «queixas», apenas 7% dos 317 mil inquiridos consideram que a sua vida sexual é monótona - e em Portugal essa percentagem não vai além de três, o que, segundo o DN, não deixa de ser uma situação interessante.

Os locais para a prática do sexo são outra revelação, já que, sem contar com o quarto, as preferências vão maioritariamente para o carro (50%), com os portugueses a surgirem acima da média - 60% assumiu já ter feito amor no carro. Apesar disso, são os norte-americanos, com 70% a preferir sexo sobre quatro rodas, quem surge em primeiro lugar.

No top das preferências dos portugueses como local sexy vem, logo a seguir ao carro, a casa de banho (60%), embora não seja possível saber, por exemplo, se é a banheira ou o chão de ladrilhos que faz perder a cabeça aos amorosos.

Em terceiro lugar, os casais portugueses escolhem a praia como local exótico para fazer amor (44%), preferência em que apenas são ultrapassados pelos gregos (57%), croatas (54%), chilenos (52%) e neozelandeses (45%).

Neste ponto, refere ainda o DN, a imaginação não tem mesmo limites. Há quem eleja o trabalho como local erótico (15% de todos os inquiridos) - e os portugueses (13%) não ficam muito abaixo da média. Há quem o faça no parque (31% do conjunto dos inquiridos, e taxa igual para os portugueses), há quem perca a cabeça numa festa (27% em média), o que acontece com 39% dos portugueses. E há até quem já o tenha feito em aviões. É certo que esta é mesmo uma minoria (2% na média dos inquiridos, com os portugueses exactamente na mesma percentagem). Os islandeses (6%) são os campeões do sexo no ar.

Quanto a experiências diversas, há situações para todos os gostos, mas a mais comum é mesmo a da relação sexual ocasional: 44% de todos os inquiridos admitem que tiveram essa experiência de uma noite única com uma pessoa (os portugueses estão abaixo da média com 37%) e 22% confessam que tiveram relações extraconjugais - aqui os portugueses estão acima da média, com 24% a confessarem a sua infidelidade.

Os devaneios e fantasias dos portugueses vão do triângulo amoroso (12%) ao sexo tântrico (8%) e ao uso de um lubrificante (29%). Mas, curiosamente, é o sexo anal, com 44% de aderentes, que bate o recorde das preferências nesta matéria.


in http://forum.autohoje.com/off-topic/29997-sexo-portugueses-no-top-20-mas-insatisfeitos.html

A vergonha continua


Depois de ver a forma a França eliminou a Irlanda só me apetece vomitar e deixar de ver futebol. Mais vergonhoso ainda é o total branqueamento no sítio oficial da UEFA, onde nem uma palavra menciona a forma como a França marcou o golo. "...The defender made amends just after the hour, denying Thierry Henry when in behind the visitors' defence. Ireland should have been two in front a minute previously, though. In a role reversal, Keane laid on Duff but the midfielder, one-on-one with Lloris, scuffed his shot at the goalkeeper. After Anelka had spurned a header akin to that missed by Doyle, Keane passed up an opportunity of his own, running out of room having attempted to round Lloris. And so came extra time where in the eighth minute a hopeful France free-kick found its way to Henry, who squared for Gallas to head the goal that takes his country to South Africa."

Ver Video do "golo"

Mas continuo a sonhar que um dia esta gente desaparecerá do mundo dos vivos...

Os números não metem


Gostem ou não do jovem milionário uma coisa é certa, e os factos são inegáveis, sempre que a selecção luso-brasileira jogou sem o Ronaldo ganhamos sempre. Será por jogarem como equipa sem vedetas dentro de campo? É caso para dizer... obrigado bruxo! Parabéns pelo apuramento.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sócrates enfia uma "vara" no cú dos contribuintes


Pouco a pouco vamos sabendo as verdades destes pseudo-socialistas que nos andam a governar há 14 anos. Depois de Pina Moura ter vendido o país aos espanhóis em troca da presidência das delegações dessas empresas em Portugal, de sabermos que o fugitivo Guterres é um dos homens mais influentes do mundo segundo a revista Forbes, estamos agora a descobrir os negócios do amigo que Sócrates colocou nas empresas públicas...

Ficámos  a saber que Armando Vara multiplicou o rendimento anual por quatro em pouco mais de dez anos, passando de um ganho anual de trabalho dependente de 59 486 euros, em 1994, para 239 541 euros, em 2007 e que o agora antigo vice-presidente do Banco Comercial Português (BCP) vai continuar a receber um salário de cerca de 30 mil euros brutos até ao apuramento dos factos, apesar de ter suspenso as funções...


Hoje o jornal Público relata um pouco do passado presente da vida da "Vara" que Sócrates enfiou aos portugueses. Felizmente já há alguns meses que fechei a minha conta no "Banco de Corruptos Portugueses" (BCP)...

As armas de Vara

Foi no início de 2008 que o agora arguido chegou ao BCP pela mão do actual CEO, Carlos Santos Ferreira. A transferência da CGD, onde ocupava um lugar destacado na administração, para o banco privado surge num contexto de turbulência, com os ex-gestores liderados por Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto a serem alvo de investigação pelas autoridades. O convite partiu de accionistas do BCP, como António Mexia, da EDP, Manuel Fino, da Soares da Costa, Teixeira Duarte e Joe Berardo, e contou com a luz verde do BdP e do Governo.

Apesar de as decisões serem colegiais, Vara, como qualquer gestor executivo tem um enorme poder no banco. Depois, embora lhe reconheçam capacidade de trabalho, é visto como um corpo estranho ao sector, alguém que fez carreira na política e subiu até à gestão. No BCP, tal como na CGD, Vara assume uma relevância particular: surge como uma escolha pessoal do CEO, também ele do universo socialista, com uma linha directa aberta para José Sócrates (de quem é amigo) e com pelouros de grande conteúdo. Vara ficou responsável pelas áreas (corporate) onde se incluem as instituições do universo público e os clientes privados mais importantes, como a PT, a EDP, a Teixeira Duarte, Joe Berardo, Joaquim Oliveira ou Manuel Fino. Em causa estão activos de cerca de 20 mil milhões de euros.

Como de resto sucede na banca, este grupo de clientes tem acesso directo ao administrador com o pelouro. Em simultâneo Vara ficou ainda responsável pelos activos em Angola (Millennium Angola), onde se deslocava frequentemente, e gerindo as relações com o maior accionista do BCP, a petrolífera estatal Sonangol. Foi-lhe entregue ainda a gestão do orçamento anual da Fundação BCP, cerca de três milhões de euros, assim como a dotação para o marketing, de cerca de 16 milhões de euros. Foi por iniciativa de Vara que o BCP entrou em força no universo futebolístico, afectando cerca de 30 por cento do orçamento de marketing a apoios desportivos.

A estratégia seguida por Vara de ligação ao mundo da bola arrancou no final de 2008 quando se ficou a saber que a FPF negociou com o BCP o patrocínio da Taça de Portugal que passa a designar-se Taça de Portugal Millennium. O acordo é válido para as três épocas seguintes. Antes os direitos pertenciam à Olivedesportos de Joaquim Oliveira, cliente do BCP. O nome de Oliveira consta alegadamente das escutas policiais a conversas entre Vara e José Sócrates, que integram oito certidões extraídas pelo DIAP de Aveiro. Em 2005 Oliveira contraiu créditos no BCP entre 250 e 300 milhões de euros para comprar o grupo Lusomundo, cujos prazos de reembolso foram recentemente alvo de renegociação, estendendo-se a 2012.

Mais do que palavras são os seus significados que estão esquecidos


CIVISMO

Talvez seja uma palavra gasta. Como cidadania. Como amor. Ou como a velha e, por isso, vilipendiada democracia. O que gasta as palavras não é o excesso de uso, mas a falta de correspondência. O que é o amor, quando não é acto de dádiva? Sem gestos, trabalho, coragem, as palavras secam. O amor dos portugueses pelas palavras é demasiado platónico. Habituámo-nos à beleza das palavras nos livros, uma beleza de folhas secas, outonal, consolação desconsolada do que podia ser mas nunca foi. Vivemos de sonhos e queixumes, alucinados pelo que nos falta e faltando à realidade que os sonhos nos pedem. Adiamos. Adiamo-nos. Dizemos que matamos o tempo e deixamos que o tempo nos mate. Um dia destes, pensamos, vou dizer tudo o que não disse. Vou fazer tudo o que não fiz. Pensamo-lo com raiva e desespero e vontade e paixão, solitários por entre as gentes. Depois respiramos fundo e adiamos. Por medo ou brandura ou nem isso. Coisas mais pequenas: cagaço, moleza. Ou a grande palavra dos países que não souberam crescer: deslumbramento. O lado de fora do servilismo, que é o avesso concreto do civismo. Precisávamos de criar um dicionário novo, onde as palavras reluzissem com o significado que possuíam antes de as usarmos como trampolins para tronos de miseráveis poderes, porque é miserável todo o poder que se serve a si mesmo em vez de servir a melhoria do mundo.

Amanhã estaremos todos mortos, meus amigos. Sobreviverá a Terra, com a marca que nela deixarmos. Sobreviverá a poeira da memória que deixarmos nos outros - só isso. Civismo é compromisso com o futuro, exercício de amor. E o amor não correspondido desmorona-se, apaga-se, desfaz-se em névoa e amargura. Nem as pedras resistem ao abandono - a profusão de palácios, edifícios e monumentos em ruína acelerada testemunha os efeitos dessa falta de civismo com que nos desrespeitamos a nós mesmos e à nossa História. A areia das praias cheia de lixo, as ondas do mar carregadas de latas, sacos de plástico, garrafas que trazem a mensagem da nossa pior pobreza, que é a de espírito. As fachadas riscadas de insultos e sujidade são o nosso rosto como nação. Deveríamos começar por aplicar a ira que dirigimos à actriz brasileira Maité Proença por cuspir num monumento diante das câmaras de televisão a todos os portugueses que diariamente escarram no chão ao nosso lado - e são muitos. E também aos que estacionam os carros no meio da rua para irem tratar da sua vidinha, imunes ao incómodo que causam à vida dos outros. E ainda aos que furam filas, a olhar para o ar, aos que acham natural que lhes abramos as portas sem se dignarem a soltar uma palavra de agradecimento. E são imensos os que não sabem agradecer as portas que se lhes abrem, física ou metafisicamente. Civismo é memória e gratidão. Ao cessar as suas funções como presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Paula Teixeira da Cruz lembrou a necessidade de agradecer aos que sabem servir generosamente a causa pública, sem olhar a divisões partidárias. E sublinhou a urgência da prática do civismo como forma quotidiana de combate às múltiplas corrupções. O seu mandato à frente do Parlamento da cidade foi um exemplo de dedicação isenta e valorosa à causa pública. Há outros exemplos assim - mas poucos, muito poucos para que a mudança do país possa ser real.

Enquanto o assalto à vara sobre o erário público continuar a compensar, enquanto os que traem metodicamente os seus compromissos e fazem da lealdade sinónimo de subserviência continuarem a prosperar, enquanto os que vivem a lamber as botas dos poderes vigentes, mendigando mordomias, continuarem a latir de contentes, o país não sai de crise nenhuma. Para isso era útil que os políticos aprendessem aquilo que a lisonja lhes faz esquecer, essa coisa simples que é distinguir o trigo do joio. Os 'valores' com que enchemos e despejamos a boca começam por aí, e é facílimo: basta atender às acções das pessoas, à sua entrega ao bem comum, à correspondência entre o que dizem e o que fazem. Basta não ceder à tentação de confundir lealdade e oportunismo, arrogância e liderança, gabarolice e eficiência. Poucos são os que resistem a tempo inteiro ao encantamento do poder - mas cada um de nós, nas suas acções e atitudes quotidianas, é responsável por isso. Os que hoje mandam não são diferentes de nós - e é em nosso nome e para cada um de nós que exercem a profissão de decidir.

Inês Pedrosa - Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A verdade sobre a Gripe A


Depois de ter estado de cama com gripe A sem grandes sofrimentos e sintomas insuportáveis, inicou-se há pouco tempo a campanha de vacinação e já começam a surgir as primeiras mortes de pessoas ou fetos após tomarem a vacina, parecendo-me importante que vejam este video para que conheçam a verdade sobre o aparecimento desta nova doença e os verdadeiros beneficiados da mesma.

Tomem, tomem, tomem


Inicialmente era apenas um medicamento antidepressivo, mas um estudo da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte (Estados Unidos) e da Universidade de Ottawa (Canadá) revela que a flibanserina também desperta o desejo sexual nas mulheres com pouca libido.

“A flibanserin era um antidepressivo. Contudo, verificou-se que aumenta a libido em animais de laboratório e seres humanos. Então, fizemos vários ensaios clínicos e as mulheres que participaram no estudo porque tinham pouco desejo sexual confirmaram sentir melhorias e ter experiências sexuais satisfatórias”, explicou John M. Thorp Jr., líder do estudo. Na experiência, participaram 1976 mulheres com mais de 18 anos e em idade fértil, que tomaram flibanserina aleatoriamente durante 24 semanas.

Segundo os investigadores, o medicamento é um fármaco semelhante ao Viagra, mas para mulheres cujo principal problema sexual é a diminuição do desejo. Para já, ainda só está disponível para ensaios clínicos, mas os investigadores acreditam que poderá ser um tratamento eficaz, sem os inconvenientes efeitos secundários da actual terapia de reposição hormonal.

por Sandra Pereira , Publicado em 16 de Novembro de 2009 no Jornal I

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Só nós podemos mudar as coisas


Pode ser que me engane, mas o potencial de danos que Armando Vara pode vir a causar a José Sócrates é bem maior do que todos os outros casos ou pretensos casos que tanto desgastaram a imagem do primeiro-ministro e tão decisivamente contribuíram para a perda da maioria absoluta do PS. Armando Vara (e não a 'Face Oculta') tem a capacidade de, por si só, arrastar Sócrates para a queda num poço de que se desconhece a profundidade. Há amizades que matam, quando se misturam com outras coisas que não são misturáveis. Foi José Sócrates quem, em nome da amizade (porque competência ou qualificação para o cargo ninguém a conhecia, nem ele), fez de Armando Vara administrador do banco do Estado, três dias depois de este ter adquirido uma espécie de licenciatura naquela espécie de Universidade entretanto extinta - e porque uma licenciatura era recomendável para o cargo. E foi José Sócrates quem, indisfarçadamente, promoveu a transferência de Santos Ferreira e Vara da Caixa para o BCP, numa curiosíssima operação de partidarização do maior banco privado português, sobre as ruínas fumegantes do escândalo em que tinha acabado o case study da sua gestão 'civil'.

Manda a verdade que se diga, porém, que estes dois golpes de audácia de José Sócrates em abono de um amigo e compagnon de route político foram devidamente medidos: aparentemente, Sócrates contava com o silêncio e aceitação cúmplice com que toda a classe empresarial e financeira recebeu a meteórica ascensão de Armando Vara aos céus da banca e o take-over do PS sobre o BCP, como se de coisa naturalíssima se tratasse. O escândalo não ultrapassou as fronteiras da opinião pública, de modo a perturbar o núcleo duro do regime. E isso foi um primeiro sinal do nível de promiscuidade aceite entre o político e o económico a que estamos agora a assistir. E, em silêncio sempre, toda a classe empresarial clientelar foi assistindo a uma série de notícias perturbadoras sobre operações bancárias a favor de algumas empresas ou investidores que, por acaso certamente, pertencem ao tal núcleo duro do regime, que goza do favor político da actual maioria. Sempre escrevi aqui que, em minha opinião, o problema do PS não é o que ele deixa de fazer em benefício dos pobres, mas o que faz e consente em benefício dos potentados. O fascínio com o grande capital e os grandes negócios (inspirados, promovidos ou pagos pelo Estado) é a perdição do PS. Aos poucos, este PS tem vindo a copiar o modelo de gestão introduzido por Alberto João Jardim na Madeira: negócios privados com oportunidades e dinheiros públicos, em troca da solidariedade política para com o Governo. Um capitalismo batoteiro, com chancela 'social' e disfarce de 'interesse público'.

Neste clima de facilitismo instalado, já ninguém se espanta com as sucessivas e tremendas notícias sobre o estado de gestão do 'interesse público'. Já não espanta descobrir que nenhuma das contrapartidas da ruinosa e inútil aquisição dos submarinos tenha sido executada e que a sua execução nem sequer esteja devidamente salvaguardada no contrato assinado pelo Estado português. Não espanta que a Grão-Pará (uma empresa que não existiria sem os sucessivos favores do Estado, incluindo do ex-ministro e ex-socialista Pina Moura), possa, finalmente e com o beneplácito do Supremo Tribunal Administrativo, construir, e em grande, na zona de construção proibida do Parque Natural Sintra-Cascais. Não espanta que, antes mesmo de lançadas ou terminadas as obras, as últimas seis concessões de auto-estradas já tenham ultrapassado em 40% o valor das estimativas do Governo - num impressionante 'deslize' de 1110 milhões de euros. Não espanta que o Tribunal de Contas chumbe duas das adjudicações porque as condições em que elas foram outorgadas não são as mesmas do concurso público, mas substancialmente mais gravosas para o Estado. E não espanta que o presidente das Estradas de Portugal venha afirmar que se trata apenas de "interpretações jurídicas" diversas e que a suspensão das empreitadas irá pôr em causa postos de trabalho (um 'argumento' mágico que vale para justificar todas as tropelias cometidas nos últimos anos, em matéria de urbanismo e obras públicas). E não espantará ninguém que, como aqui escrevi a semana passada, em breve se descubra que, antes mesmo de iniciadas as obras, já o TGV e o aeroporto de Alcochete 'derraparam' 20 ou 30% sobre o seu custo anunciado. E, se se conseguir penetrar a meticulosa teia de 'pareceres' técnicos, estudos, cláusulas ocultas dos contratos, arbitragens sempre desfavoráveis ao Estado, se formos tentar descobrir como, porquê e a favor de quem é que não há uma obra pública que cumpra o orçamento, encontraremos sempre mais do mesmo - os mesmos processos, os mesmos truques, as mesmas empresas, os mesmos 'facilitadores' de negócios no papel de go between entre o 'interesse público' e os negócios privados. Isto, num país onde o défice das contas do Estado chegou aos 8% e a dívida pública aos 80% do PIB e o extermínio fiscal sobre os que pagam impostos se tornou insustentável. O ar está a ficar irrespirável.

Como se tudo isto não fosse já alarmante, eis que a justiça implodiu de vez e à vista de todos, em sucessivas cenas lamentáveis na praça pública. A coisa ficou tão anárquica que já se tornou normal ver os jornalistas irem pedir opiniões sobre os casos mediáticos pendentes aos sindicatos dos juízes e do Ministério Público! Não fosse a PJ (única entidade da justiça que ainda merece algum crédito) e um seu investigador de Aveiro, e a 'Face Oculta' nunca teria conhecido a luz do dia ou teria logo patinado. Mas, como os maus hábitos nunca se perdem, eis que tudo já entrou na normalidade, com as escandalosamente normais fugas do segredo de justiça a invadirem a imprensa, tratando de sabotar alegremente uma investigação até aqui conduzida num exemplar silêncio e profissionalismo. E já só pode dar vontade de rir (ou de chorar!) assistir ao espectáculo único de ver os dois mais altos magistrados do país - o presidente do Supremo e o PGR - trocando galhardetes de antiga amizade fundada em rivalidades sindicais, empurrando um para o outro as malditas escutas entre Armando Vara e José Sócrates. Seja qual for o conteúdo de tão sensível material, e mesmo que jamais o venhamos a saber, eles conseguiram já o pior de todos os resultados: instalar uma suspeita mortal sobre o primeiro-ministro e o funcionamento da própria justiça, que não tem reparação possível. É, de facto, notável que o único cidadão deste país que não entende que há coisas que não podem esperar dois meses ou até oito dias para serem reveladas, seja o cidadão que ocupa o lugar de procurador-geral da República! Realmente, o lugar parece estar amaldiçoado e desde há muito.

Junte-se então um governo cujo primeiro-ministro é dado a companhias comprometedoras, um sistema em que se fundem e confundem o político e o económico, o público e o privado, uma justiça que verdadeiramente se tornou cega e surda, mas não muda, um Presidente da República que se desautorizou a si próprio no pior momento, e um país onde as noções de interesse público e serviço público já quase se perderam por completo sem vergonha alguma, e tudo isto começa já a cheirar indisfarçadamente mal. Cheira a fim de regime e só os loucos ou os extremistas é que podem achar isso uma boa perspectiva para o futuro.

Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009

FIFA 10 vs PES 2010: Qual é o melhor?


PES ganha na aparência, rapidez e inteligência artificial, Fifa domina no realismo e nos comentários.

A coisa quase toma contornos clubísticos quando se fala na eterna luta entre a EA e a Konami para ganhar o título de campeão dos jogos de futebol (e de vendas).
 

Olhó robô

O que mais tem dividido os fãs de uma ou outra série são a jogabilidade e as licenças de utilização dos nomes e imagens reais dos jogadores. Até agora, e sobretudo nos últimos dois anos, a gigante EA não deu hipótese à Konami de para se impor. Este ano a diferença entre os dois títulos atenua-se e, ao mesmo tempo, aumenta, sempre a favor do PES: atenua-se nas licenças – o PES tem agora, para além da Liga dos Campeões, a Liga Europa, o que “obrigou” a Konami a dar mais atenção aos pormenores das caras dos jogadores. E aumenta porque o PES está mais fluido, mais feito para a partida rápida ocasional (apesar das novas opções tácticas) e o Fifa está mais lento, mas mais realista nos movimentos dos jogadores.

O qué’qué isso oh meu?

Os comentários em Português de Fifa 10 arrumam a um canto o esforço da Konami de incluir, pela primeira vez, a língua de Camões no PES. Mesmo com erros de sincronização (estamos a ganhar e eles insistem que estamos a passar por dificuldades) os comentários made in EA são claramente melhores do que a dupla Pedro Sousa (SportTV) e João Vieira Pinto, no PES. A diferença pode estar na existência ou não de um guião, que a EA garante não ter enviado aos seus comentadores. No caso do Pro Evolution, os comentários de Pedro Sousa soam “demasiado perto” dos comentários … em inglês. Já João Pinto tem tiradas humorísticas fantásticas tanto pelo conteúdo do texto como pela clara noção de que o comentador está a ler.

Eu vi a luz!

A versão do jogo que pudemos jogar foi a da PS3 e em ambos os jogos os gráficos estão irrepreensíveis, com vantagem para o PES, que levou bem a sério o novo desafio da Liga Europa.

Chega pra'lá!

O drible a 360 graus sente-se apenas no Fifa, apesar de ser uma das características anunciadas pela Konami. No Fifa as colisões e a movimentação geral dos jogadores está melhor, mas acaba por perder na inteligência artificial dos jogadores, que ficam parados demasiadas vezes, o que chega a ser irritante.

Como modos próprios, a EA tem o já tradicional Manager mode e o novo Live Season que permite jogar (um campeonato custa mais 5 euros ) com os dados e estatísticas actuais dos campeonatos. No PES, as novas possibilidades de definir tácticas ganham relevância , bem como o modo Comunidade, ideal para a tradicional “pesada” dos amigos lá em casa, já que guarda os dados de todos os jogos feitos entre um grupo de amigos.

in Jornal I

Um campeão esquecido


Treinador português no activo, foi campeão nacional e não foi falado para o Sporting, ao contrário de muitos. Quem? Jaime Pacheco. O homem que levou o Boavista ao título está longe, no Al-Shabab (Arábia Saudita), a ganhar dinheiro mas a massacrar os gostos. Perdeu a observação da beleza feminina, perdeu o tinto e a cerveja, perdeu Portugal. Só não perdeu a verdade, nem ao telefone.

domingo, 15 de novembro de 2009

Viva o Socialismo!!

Há certas histórias que, tendo em conta a agitação geral, passam relativamente despercebidas. É o caso de uma contada pela revista do "Correio da Manhã" (Família Milionária recebe agora rendimento mínimo): uma família que teve a sorte de acertar no totoloto, ganhando 600 mil euros, vive hoje de subsídios do Estado.
Como aconteceu?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Greve aos produtos da UNICER e protesto contra os regulamentos da LIGA


Caros Amigos,

Vamos mostrar a nossa revolta. Já enviei esta petição a todas as redacções dos media nacionais. Não deixem morrer esta causa. Vamos defender a nossa Briosa e a moralização do futebol português acabando com regulamentos amadores. Vamos fazer boicote à Unicer para que eles deixem de patrocinar esta liga de corruptos e amadores.

Acabei de ler e assinar esta petição online:

«Greve aos produtos da UNICER e protesto contra os regulamentos da LIGA»

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N718

Eu pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar.

Subscreve a petição aqui http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N718 e divulga-a pelos teus contactos.

Obrigado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ganhar a vida a pulso


Os telefones não param, as deslocações de carro multiplicam--se, as reuniões não têm conta. José Eduardo Bettencourt está a ultimar o modelo de fénix que pretende criar para ver o Sporting renascer das cinzas. E já há mais certezas do que incógnitas - se tudo correr bem nas negociações, André Villas Boas será o novo técnico do Sporting e Ricardo Sá Pinto, conforme o i avançou no início da semana, ficará a comandar o futebol.

Segundo o i apurou, o actual treinador da Académica esteve sempre na lista de possíveis sucessores de Paulo Bento (já tinha sido sondado no final da última época) mas, numa primeira fase, o interesse sofreu um revés quando Villas Boas deu a entender que não pretendia dar já um passo tão grande na curta carreira (como técnico principal, só fez quatro jogos). Foi aí que nomes como Manuel José, Manuel Machado ou Cajuda foram ponderados - se o jovem treinador decidisse continuar em Coimbra, a opção recairia na experiência.

As etapas foram passando e, ontem, todos admitiam o óbvio: a mudança de posição do discípulo de Mourinho. Cajuda foi sondado de forma oficiosa por um elemento dos lisboetas, da mesma forma que Adriaanse e Juande Ramos fizeram saber as condições pessoais para virem para Alvalade. Passo seguinte: escolher. E foi aqui que acabou por ganhar a facção Villas Boas.

Cientes do erro cometido no Dezembro quente de 2000 - o treinador campeão, Augusto Inácio, foi demitido e os sócios invadiram uma conferência de Luís Duque, líder da SAD, por não quererem o técnico do rival Benfica, um tal José Mourinho -, os responsáveis acreditam que o comandante dos estudantes tem o perfil indicado para dar arranque ao novo ciclo do futebol leonino. E não querem perder a oportunidade de assegurar um valor que entrou no mundo do futebol de forma atípica: como era vizinho de Bobby Robson, na altura treinador dos portistas, Villas Boas entregou uma série de dados estatísticos ao inglês, que os passou ao adjunto Mourinho e assim abriu caminho a uma relação que acabou no passado mês (com passagens por FC Porto, Chelsea e Inter).

Detalhes Faltam definir pormenores como a compensação à Académica ou os adjuntos (falam-se de alguns nomes para adjunto como Litos, Filipe Ramos ou Carlos Xavier). Ordenado não constituirá problema: ganha menos do que o antecessor (cerca de 700 mil euros). Entre hoje e amanhã, os quatro elementos da equipa técnica de Bento - que já foram informados da dispensa oficial - darão o último treino em Alcochete. É o derradeiro capítulo de uma era. Que foi boa. Abre-se outra que, de nome, também pode ser.
 
in Jornal I
 

Longe vão os tempos em que tinhamos de ganhar a vida a pulso e ter de mostrar provas antes de assumirmos cargos importantes. Hoje isso já não importa, basta estar associado a um nome ou empresa de sucesso, ter boa figura e ter a sorte de estar no momento certo à hora certa. Este jovem em que a Briosa decidiu apostar conseguiu recuperar, de momento, a moral de uma equipa e conquistar os primeiros pontos para a mesma, mas o certo é que apenas fez 4 jogos, ganhou 2, empatou 1 e perdeu o outro. Se isto é suficiente para ir treinar o Sporting, os sportinguistas saberão, mas desde já, caso o André aceite o cargo, desejo-lhe uma caída igual à ascensão. Pode que assim aprenda para o futuro.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Os conhecidos contentores sul americanos


Joseph Blatter, presidente da FIFA, quer impor restrições ao excesso de naturalizados que representam selecções europeias. Um dos exemplos da proliferação deste género de jogadores é a Selecção Nacional, que recorreu a Deco, Pepe e Liedson, brasileiros que adquiriram a nacionalidade portuguesa através de naturalização.

Numa conferência de imprensa no México, Blatter declarou prestar mais atenção aos jogadores vindos da América do Sul: “Há um excesso de jogadores sul-americanos, sobretudo do Brasil e da Argentina, que facilmente conseguem um passaporte do país europeu em que atuam. Isto pode fazer com que o Mundial de 2014 seja disputado, na sua maioria, por brasileiros e argentinos. Por isso, devemos (a FIFA) intervir.”

Apesar das críticas e preocupações da organização do Mundial 2010, o presidente da FIFA está confiante sobre o primeiro Mundial a ser realizado em Àfrica. “A situação na África do Sul, a sete meses do Mundial, é clara. Muitos críticos condenam a organização na comunicação social, especialmente na Europa, mas não vão lá ver o que está a ser feito,” afirma

in O Jogo
 
PS: Já não era sem tempo fazer alguma coisa sobre o assunto. Que haja jogadores naturalizados pode acontecer devido a vários factores, agora é inaceitável que um jogador como Pepe que não nasceu, não cresceu e nem sequer joga em Portugal represente a selecção. É um estrangeiro que veio aqui jogar 5 anos e agora vive noutro país, ou seja, não é português nem vive em Portugal. Como pode este tipo defender a selecção nacional?
 
No último Maritimo-Porto dos 26 jogadores que estiveram em campo 22?! eram sul americanos e no Braga-Benfica foram outros 20?! Depois ficam todos escandalizados que passem cenas como a do túnel...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A culpa é do bruxo


Em tempos de crise profunda é normal ver uns quantos indivíduos preocupados com o futuro próximo de 100 milhões de euros, mais conhecidos no mundo da bola como Cristiano Ronaldo. É tanto o dinheiro dado por este jogador que os madrilistas até crêem que compraram também a nacionalidade e estão agora indignados pela sua convocação para uns jogos que apenas decidem a presença ou não de Portugal no Mundial de África. Esta novela é mais uma na eterna luta entre selecções e equipas que pagam os ordenados aos jogadores que depois se lesionam a jogar pelos seus países.

Este jovem milionário não tem jogado ultimamente devido a uma lesão sofrida num jogo para a Liga dos Campeões contra o Marselha e que mais tarde a veio agravar contra a Hungria enquanto representava a selecção portuguesa, por quem já lhe havia sido proibido jogar pelo seu clube por estar, imagine-se, com gripe. Devido à recuperação tardia e ao mau diagnóstico no passado o seu clube decidiu levar o jogador à Holanda para que o médico que o operou fizesse um diagnóstico. Como os médicos espanhóis não se definem quanto à gravidade da lesão, tendo que procurar um especialista na Holanda, e devido à importância dos próximos jogos da selecção e por ser o capitão da equipa, Carlos Queiroz decidiu convocar o jogador, tal como permitem os regulamentos, para que o departamento clínico nacional possa avaliar a possibilidade ou não do jogador estar disponível nos próximos jogos, tal como vem explicado no comunicado de impressa da selecção: "À semelhança do que acontece com os jogadores que integraram esta segunda-feira os trabalhos da Selecção, também os atletas que chegarão na próxima quarta-feira serão submetidos a exames médicos que permitirão aferir da sua aptidão física para permanecerem no estágio. A FPF divulgará, oportunamente, os resultados dos testes clínicos efectuados. No final do dia de hoje, a Federação Portuguesa de Futebol emitirá o boletim clínico da Selecção Nacional - Clube Portugal."

Sinceramente prefiro que o Cristiano não jogue nunca, pois a equipa joga muito melhor quando ele não está, além de já não aguentar os seus tiques de vedeta, mas, como seria de esperar, uns quantos paspalhos madrilenos que pensam ser o centro do mundo e desrespeitam todos os demais decidiram levantar uma guerra contra Portugal na pessoa do seleccionador nacional e não posso passar ao lado disto. Que os responsáveis do clube não queiram que o jogador viaje é normal, agora é deprimente ver estes pseudo jornalistas dos média espanhóis denegrir por completo um país apenas porque não querem que o jogador esteja presente na apresentação dos jogadores e comprovar o seu estado clínico como mandam as regras da FIFA. Toda esta situação, para quem vive em Espanha, não surpreende.

O Real Madrid diz que tem os exames médicos suficientes que provam que o jogador está lesionado e não o deixam viajar a Portugal para fazer os exames e quando muito que sejam os médicos a ir a Madrid analisá-lo. Se os médicos espanhóis precisaram de ir à Holanda pedir a opinião de outro médico por que motivo os médicos portugueses se vão fiar dos exames médicos feitos em Espanha? Desde quando são os médicos portugueses a ter-se que deslocar a Madrid? Está o jogador paralítico ou acham que são os “pacóvios” que se devem deslocar à “capital”? Se calhar não se fiam é dos médicos portugueses… mas vá-se lá saber se o médico da selecção não é um dos vários portugueses que tiraram medicina em Salamanca ou, se calhar, um dos vários espanhóis que foi para Portugal tirar a especialidade e acabou por ficar por lá.

Não terá Portugal o direito de querer o capitão da selecção nacional junto do grupo mesmo que não jogue? O tratamento que tem de seguir não se poderá fazer em Portugal ou será que só em Madrid conseguirá recuperar? E por que razão não criticam o facto de o Real não libertar o Pepe e o Atlético o Simão como fizeram com outros jogadores como Forlán, Kun, Benzema, Kaka, etc., fazendo-os jogar a meio desta semana, sabendo que Portugal tem dois jogos decisivos na próxima semana?

Mas o que espero mais ansiosamente é saber a posição do jogador. Vamos ter um acto de patriotismo ou afinal os 100 milhões também compraram a nacionalidade?

Esperemos os próximos capitulos...


Algo bom Hitler tinha que fazer.

Há 70 anos que se suspeitava que a Espanha franquista projectara invadir Portugal. Primeiro, os falangistas vitoriosos desafiaram o caudilho a "fazer um passeio triunfal até Lisboa", em Março de 1939. Depois, com a II Guerra Mundial, Franco aproximou-se perigosamente de Hitler. Contudo, faltavam provas credíveis dessas intenções.

Graças ao investigador espanhol Manuel Ros Agudo, confirma-se que, em Dezembro de 1940, Portugal esteve a um passo de ser invadido. O documento, dos arquivos da Fundação Francisco Franco, descoberto em 2005, "é precioso", comentou ao Expresso o historiador Fernando Rosas. "Prova que os espanhóis não só tinham um plano de invasão, como o tencionavam executar à margem dos alemães".

Melhor não voltar para Portugal antes de 2030

Os optimistas que me desculpem, mas preocupação é fundamental. Os dados divulgados esta semana sobre a economia portuguesa têm um lado positivo a curto prazo (a recessão será este ano menor que o esperado e menos má que a média europeia) mas outro muito negativo quando se olha para os próximos dois anos.

Com efeito, quando se perspectivam 2010 e 2011, o cenário deixa-nos de cabelos em pé. Primeiro, confirma-se a tendência que vem de trás: vamos demorar mais tempo a sair da crise do que a União Europeia e registar crescimentos anémicos nos próximos anos. As outras duas tendências pesadas serão o disparo da dívida pública e a persistência do défice orçamental em valores muito elevados.

Para se fazer ideia de quão preocupante é esta evolução, recorde-se a previsão de Bruxelas sobre a dívida pública em percentagem do PIB: 77,4% em 2009, 84,6% em 2010 e 91,1% em 2011! Em 2002, este valor era de 55,5%. Ora o Pacto de Estabilidade e Crescimento estabelece que a dívida pública não deverá ultrapassar 60% do PIB. E Bruxelas vai dar cada vez mais atenção à dívida e menos aos défices, porque os governos em dificuldades não hesitam em retirar do perímetro de consolidação orçamental tudo o que possam.

O Executivo de José Sócrates não tem sido peco nesta matéria. Nestes últimos anos tem-se assistido, como bem lembra o ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga, em artigo que publicaremos para a semana, a um emagrecimento contabilístico do universo do Sector Público Administrativo (SPA), com a transformação de órgãos das administrações públicas em empresas ou entes públicos empresariais; e suborçamentação sistemática das indemnizações compensatórias pelo serviço público prestado pelas empresas públicas de transporte e das transferências para os hospitais, diminuindo artificialmente o défice público anual.

É um truque clássico que, como se disse, merecerá cada vez mais atenção de Bruxelas nos próximos anos, sobretudo em países com elevados défices orçamentais. E nós deveremos estar, segundo a Comissão Europeia, com um défice de 8% este ano e no próximo e de 8,7% em 2011. Ou, de acordo com Catroga, um défice actual já acima dos 10% e uma dívida pública total (directa e indirecta) acima de 100% do PIB.

Vejamos então o cardápio de remédios que o FMI receita para voltarmos a cumprir em 2030 (!) os 60% da dívida em relação ao PIB: não renovar as medidas de combate à crise, congelar em termos reais a despesa pública per capita com saúde e pensões durante dez anos (!) e reforçar as receitas fiscais através do alargamento da base tributária, do combate à evasão e aumento dos impostos (!).

Junte-se a isto o apelo por parte de vários economistas e do próprio Banco de Portugal para que se verifique uma grande moderação salarial, sob pena de aumentos salariais acima dos ganhos de produtividade de cada empresa se tornarem "fábricas de desemprego" no futuro próximo, segundo Silva Lopes. E acrescente-se a previsão de que a banca portuguesa vai ter um ano muito difícil em 2010, com o agravamento do incumprimento, sobretudo no crédito concedido às PME, que vão ser as mais afectadas pela crise económica, e que constituem mais de 95% do tecido empresarial português. Quer cenário mais dantesco?

Por outras palavras, a nossa principal restrição é já e será ainda mais nos próximos anos o endividamento externo, a par de um crescimento insustentável da despesa pública. Ou travamos violentamente às quatro rodas ou alguém o fará por nós. E em nenhum dos casos o futuro será agradável

Nicolau Santos in Expresso

A face visível de Portugal

O Relatório de Outono da Comissão Europeia sobre a conjuntura económica portuguesa contém três boas notícias já para o ano de 2010. A primeira é que o crescimento do PIB será retomado, devendo atingir os 0,3%, depois de ter sido negativo em 2,9% neste ano (acima da média da UE, que foi de 4% negativos, mas a crescer menos de metade do que vai crescer o PIB na UE); a segunda, é que o desemprego não aumentará, mas também não diminuirá, mantendo-se nos actuais 9%; a terceira é a retoma em terreno positivo das exportações, depois de uma queda para menos 14% em 2009. E fim das boas notícias.

Agora, a factura. O défice público, segundo Bruxelas, vai acabar o ano em 8% do PIB - bem acima dos 5,9% anunciados pelo Governo, e, pior ainda, vai manter-se assim em 2010 e aumentar para 8,9% (uma barbaridade!) em 2011. Em consequência, a dívida do Estado português, que representava já 66% do PIB em 2008 e que passou este ano para 77,4%, passará em 2010 para 84,6%, e em 2011 para uns inacreditáveis 91%. E basta de números, fiquemos apenas com esta realidade: dentro de dois anos, seria necessário alocar praticamente toda a riqueza produzida no país durante um ano inteiro para saldar a dívida pública - pondo fim ao pagamento de juros que aos poucos vai sugando o país, transmitindo à geração seguinte um Estado endividado até ao pescoço. Teixeira dos Santos justifica o descontrolo do défice (derrapagem é adjectivo que já não chega para caracterizar a situação) com a crise económica: o que aconteceu, diz ele, não foi o aumento da despesa do Estado, mas sim a diminuição da receita fiscal. Com certeza que tem razão, mas a despesa do Estado subiu também - em parte motivada pelo acréscimo de prestações sociais, como o subsídio de desemprego e o rendimento mínimo - e atingiu o patamar psicológico dos 50% do PIB. Metade de toda a riqueza produzida no país inteiro pelas empresas e pelos trabalhadores é gasta pelo Estado.

Portanto, estes são os dados: temos um Estado que consome metade do que produzimos, cuja riqueza malbaratada impede os cidadãos de melhorarem a sua própria situação, e que, mesmo assim, todos os anos se endivida mais, porque a receita que tem e que tanto nos custa a pagar (aos que pagam...) não chega para os seus gastos, sempre crescentes. Por isso, endivida-se, ano após ano, e o serviço da dívida, os juros que paga, são já parte significativa da sua própria despesa. É como uma família em que um dos cônjuges trabalha e traz riqueza para casa e o outro vive a gastá-la e a acumular dívidas, que um dia passarão aos filhos, se antes a própria família não decretar insolvência. Não me interessa muito saber se a solução há-de ser socialista ou neoliberal, trata-se de uma questão de boa-fé. Não é justo nem sustentável indefinidamente que metade dos portugueses continue a trabalhar, investir, inovar e produzir riqueza para que a outra metade trate de a gastar alegremente e ainda exija sempre mais.

É a esta luz que se torna obrigatório meditar nas tais 'grandes obras públicas' que o Governo nos propõe como grande medida de política keynesiana e com o entusiástico apoio da CIP e da Associação dos Construtores de Obras Públicas. Quando, como já aqui o escrevi, tropeço em coisas como o contrato celebrado entre o Porto de Lisboa (Estado) e a Liscont/Mota-Engil para o Terminal de Contentores de Alcântara, eu tenho a penosa certeza de que estou pessoalmente a ser roubado pelos advogados do Estado e a benefício do sr. Mota - decerto uma estimável pessoa que não tenho o prazer de conhecer, mas que também me dispenso de ajudar a enriquecer com o dinheiro do meu trabalho. E o mesmo quando vejo as acções da Mota/Engil subirem 13% em bolsa no dia seguinte às eleições legislativas terem confirmado novo Governo PS. Ou quando constato que, semanas depois, a Mota/Engil ganhou mais um concurso de construção e concessão de exploração de uma nova auto-estrada - a do Pinhal Interior (alguém me pode informar onde fica isso ou para que serve?). Ou quando leio que foi alterado o regime das concessões rodoviárias, seguindo o modelo do contrato para o Terminal de Contentores de Alcântara, onde todo o risco do negócio é assumido pelo Estado e os privados ficam só com lucros garantidos ou indemnizações compensatórias. Ou quando vou sabendo pelos acórdãos do Tribunal de Contas (que, por si só, deveriam cobrir de vergonha qualquer governo), que se tornou prática corrente dos concursos de empreitadas públicas licitar com um preço imbatível e, uma vez ganho o concurso, subir o preço muito além do da concorrência, invocando toda a ordem de pretextos.

Perguntem-me se eu confio neste Estado e neste Governo para lançar, em nome do 'interesse público', as empreitadas das grandes obras como o novo aeroporto de Lisboa, o TGV ou a nova ponte rodo-ferroviária sobre o Tejo, em Lisboa? Não, não confio. E não só porque se trata de obras inúteis e até prejudiciais a Lisboa, como a ponte ou o novo aeroporto, mas porque, na situação financeira em que nos encontramos, são quase obscenas. E, depois, porque não tenho a mais pequena fé de que os custos não disparem, que não haja negócios e adjudicações de favor, tráfico de influências, grandes oportunidades de enriquecimento para a meia dúzia de sociedades de advogados de Lisboa que vivem disto e, no final de tudo, que alguma das obras anunciadas se sustente a si própria e não venha a ser antes mais uma fonte de despesa pública a perder de vista.

Oiça, José Sócrates: o país que trabalha, que estuda, que inova, que arrisca e que dá trabalho a outros; o país que não foge ao fisco nem tem offshores e que paga impostos até por respirar; que não enriquece na bolsa nem vive a mendigar subsídios do Estado; que paga a escola dos filhos, as suas despesas de saúde e o seu plano de reforma, nada esperando da Segurança Social; o país que tem pudor em fazer negócios escuros com as autarquias ou as empresas públicas; o país que ainda não apanhou um avião para o exílio mas que também não deseja um lugar nos aviões das suas visitas de Estado a Angola, esse país está a ficar farto. Acredite que está. Não se manifesta nas ruas nem se organiza em 'Compromissos Portugal', que não são compromisso nem são Portugal. Mas existe e um dia destes explode. Nesse dia, o dr. Teixeira dos Santos vai-se espantar por descobrir que, mesmo já sem crise, a receita fiscal não há maneira de voltar a subir. Porque o animal raro conhecido por otário se terá extinto de vez.

Faz agora um ano que, 'para evitar o risco sistémico', o Governo nacionalizou os prejuízos do BPN. Um ano depois, a conta para os contribuintes já vai em 3,5 mil milhões de euros - três mil milhões e meio de euros! Vale a pena fazer as perguntas, em jeito de balanço: se o risco era sistémico, isso quer dizer que toda a banca funcionava no esquema de vigarice institucionalizada do BPN - foi isso que se quis esconder? Se o risco era sistémico, porque é que a banca privada não ajudou a banca pública a acorrer ao BPN? E, agora, tendo gasto mais dinheiro com o BPN do que gastou a pagar os subsídios de desemprego a meio milhão de desempregados, que lição, se é que alguma, extrai o governo dessa aventura? Que mensagem, se é que alguma, lhe ocorre dar aos pagadores de impostos?

Miguel Sousa Tavares in Expresso