Caros Amigos,
Vamos mostrar a nossa revolta. Já enviei esta petição a todas as redacções dos media nacionais. Não deixem morrer esta causa. Vamos defender a nossa Briosa e a moralização do futebol português acabando com regulamentos amadores. Vamos fazer boicote à Unicer para que eles deixem de patrocinar esta liga de corruptos e amadores.
Acabei de ler e assinar esta petição online:
«Greve aos produtos da UNICER e protesto contra os regulamentos da LIGA»
http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N718
Eu pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar.
Subscreve a petição aqui http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N718 e divulga-a pelos teus contactos.
Obrigado.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Ganhar a vida a pulso
Os telefones não param, as deslocações de carro multiplicam--se, as reuniões não têm conta. José Eduardo Bettencourt está a ultimar o modelo de fénix que pretende criar para ver o Sporting renascer das cinzas. E já há mais certezas do que incógnitas - se tudo correr bem nas negociações, André Villas Boas será o novo técnico do Sporting e Ricardo Sá Pinto, conforme o i avançou no início da semana, ficará a comandar o futebol.
Segundo o i apurou, o actual treinador da Académica esteve sempre na lista de possíveis sucessores de Paulo Bento (já tinha sido sondado no final da última época) mas, numa primeira fase, o interesse sofreu um revés quando Villas Boas deu a entender que não pretendia dar já um passo tão grande na curta carreira (como técnico principal, só fez quatro jogos). Foi aí que nomes como Manuel José, Manuel Machado ou Cajuda foram ponderados - se o jovem treinador decidisse continuar em Coimbra, a opção recairia na experiência.
As etapas foram passando e, ontem, todos admitiam o óbvio: a mudança de posição do discípulo de Mourinho. Cajuda foi sondado de forma oficiosa por um elemento dos lisboetas, da mesma forma que Adriaanse e Juande Ramos fizeram saber as condições pessoais para virem para Alvalade. Passo seguinte: escolher. E foi aqui que acabou por ganhar a facção Villas Boas.
Cientes do erro cometido no Dezembro quente de 2000 - o treinador campeão, Augusto Inácio, foi demitido e os sócios invadiram uma conferência de Luís Duque, líder da SAD, por não quererem o técnico do rival Benfica, um tal José Mourinho -, os responsáveis acreditam que o comandante dos estudantes tem o perfil indicado para dar arranque ao novo ciclo do futebol leonino. E não querem perder a oportunidade de assegurar um valor que entrou no mundo do futebol de forma atípica: como era vizinho de Bobby Robson, na altura treinador dos portistas, Villas Boas entregou uma série de dados estatísticos ao inglês, que os passou ao adjunto Mourinho e assim abriu caminho a uma relação que acabou no passado mês (com passagens por FC Porto, Chelsea e Inter).
Detalhes Faltam definir pormenores como a compensação à Académica ou os adjuntos (falam-se de alguns nomes para adjunto como Litos, Filipe Ramos ou Carlos Xavier). Ordenado não constituirá problema: ganha menos do que o antecessor (cerca de 700 mil euros). Entre hoje e amanhã, os quatro elementos da equipa técnica de Bento - que já foram informados da dispensa oficial - darão o último treino em Alcochete. É o derradeiro capítulo de uma era. Que foi boa. Abre-se outra que, de nome, também pode ser.
in Jornal I
Longe vão os tempos em que tinhamos de ganhar a vida a pulso e ter de mostrar provas antes de assumirmos cargos importantes. Hoje isso já não importa, basta estar associado a um nome ou empresa de sucesso, ter boa figura e ter a sorte de estar no momento certo à hora certa. Este jovem em que a Briosa decidiu apostar conseguiu recuperar, de momento, a moral de uma equipa e conquistar os primeiros pontos para a mesma, mas o certo é que apenas fez 4 jogos, ganhou 2, empatou 1 e perdeu o outro. Se isto é suficiente para ir treinar o Sporting, os sportinguistas saberão, mas desde já, caso o André aceite o cargo, desejo-lhe uma caída igual à ascensão. Pode que assim aprenda para o futuro.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Os conhecidos contentores sul americanos
Joseph Blatter, presidente da FIFA, quer impor restrições ao excesso de naturalizados que representam selecções europeias. Um dos exemplos da proliferação deste género de jogadores é a Selecção Nacional, que recorreu a Deco, Pepe e Liedson, brasileiros que adquiriram a nacionalidade portuguesa através de naturalização.
Numa conferência de imprensa no México, Blatter declarou prestar mais atenção aos jogadores vindos da América do Sul: “Há um excesso de jogadores sul-americanos, sobretudo do Brasil e da Argentina, que facilmente conseguem um passaporte do país europeu em que atuam. Isto pode fazer com que o Mundial de 2014 seja disputado, na sua maioria, por brasileiros e argentinos. Por isso, devemos (a FIFA) intervir.”
Apesar das críticas e preocupações da organização do Mundial 2010, o presidente da FIFA está confiante sobre o primeiro Mundial a ser realizado em Àfrica. “A situação na África do Sul, a sete meses do Mundial, é clara. Muitos críticos condenam a organização na comunicação social, especialmente na Europa, mas não vão lá ver o que está a ser feito,” afirma
in O Jogo
PS: Já não era sem tempo fazer alguma coisa sobre o assunto. Que haja jogadores naturalizados pode acontecer devido a vários factores, agora é inaceitável que um jogador como Pepe que não nasceu, não cresceu e nem sequer joga em Portugal represente a selecção. É um estrangeiro que veio aqui jogar 5 anos e agora vive noutro país, ou seja, não é português nem vive em Portugal. Como pode este tipo defender a selecção nacional?
No último Maritimo-Porto dos 26 jogadores que estiveram em campo 22?! eram sul americanos e no Braga-Benfica foram outros 20?! Depois ficam todos escandalizados que passem cenas como a do túnel...
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
A culpa é do bruxo
Em tempos de crise profunda é normal ver uns quantos indivíduos preocupados com o futuro próximo de 100 milhões de euros, mais conhecidos no mundo da bola como Cristiano Ronaldo. É tanto o dinheiro dado por este jogador que os madrilistas até crêem que compraram também a nacionalidade e estão agora indignados pela sua convocação para uns jogos que apenas decidem a presença ou não de Portugal no Mundial de África. Esta novela é mais uma na eterna luta entre selecções e equipas que pagam os ordenados aos jogadores que depois se lesionam a jogar pelos seus países.
Este jovem milionário não tem jogado ultimamente devido a uma lesão sofrida num jogo para a Liga dos Campeões contra o Marselha e que mais tarde a veio agravar contra a Hungria enquanto representava a selecção portuguesa, por quem já lhe havia sido proibido jogar pelo seu clube por estar, imagine-se, com gripe. Devido à recuperação tardia e ao mau diagnóstico no passado o seu clube decidiu levar o jogador à Holanda para que o médico que o operou fizesse um diagnóstico. Como os médicos espanhóis não se definem quanto à gravidade da lesão, tendo que procurar um especialista na Holanda, e devido à importância dos próximos jogos da selecção e por ser o capitão da equipa, Carlos Queiroz decidiu convocar o jogador, tal como permitem os regulamentos, para que o departamento clínico nacional possa avaliar a possibilidade ou não do jogador estar disponível nos próximos jogos, tal como vem explicado no comunicado de impressa da selecção: "À semelhança do que acontece com os jogadores que integraram esta segunda-feira os trabalhos da Selecção, também os atletas que chegarão na próxima quarta-feira serão submetidos a exames médicos que permitirão aferir da sua aptidão física para permanecerem no estágio. A FPF divulgará, oportunamente, os resultados dos testes clínicos efectuados. No final do dia de hoje, a Federação Portuguesa de Futebol emitirá o boletim clínico da Selecção Nacional - Clube Portugal."
Sinceramente prefiro que o Cristiano não jogue nunca, pois a equipa joga muito melhor quando ele não está, além de já não aguentar os seus tiques de vedeta, mas, como seria de esperar, uns quantos paspalhos madrilenos que pensam ser o centro do mundo e desrespeitam todos os demais decidiram levantar uma guerra contra Portugal na pessoa do seleccionador nacional e não posso passar ao lado disto. Que os responsáveis do clube não queiram que o jogador viaje é normal, agora é deprimente ver estes pseudo jornalistas dos média espanhóis denegrir por completo um país apenas porque não querem que o jogador esteja presente na apresentação dos jogadores e comprovar o seu estado clínico como mandam as regras da FIFA. Toda esta situação, para quem vive em Espanha, não surpreende.
O Real Madrid diz que tem os exames médicos suficientes que provam que o jogador está lesionado e não o deixam viajar a Portugal para fazer os exames e quando muito que sejam os médicos a ir a Madrid analisá-lo. Se os médicos espanhóis precisaram de ir à Holanda pedir a opinião de outro médico por que motivo os médicos portugueses se vão fiar dos exames médicos feitos em Espanha? Desde quando são os médicos portugueses a ter-se que deslocar a Madrid? Está o jogador paralítico ou acham que são os “pacóvios” que se devem deslocar à “capital”? Se calhar não se fiam é dos médicos portugueses… mas vá-se lá saber se o médico da selecção não é um dos vários portugueses que tiraram medicina em Salamanca ou, se calhar, um dos vários espanhóis que foi para Portugal tirar a especialidade e acabou por ficar por lá.
Não terá Portugal o direito de querer o capitão da selecção nacional junto do grupo mesmo que não jogue? O tratamento que tem de seguir não se poderá fazer em Portugal ou será que só em Madrid conseguirá recuperar? E por que razão não criticam o facto de o Real não libertar o Pepe e o Atlético o Simão como fizeram com outros jogadores como Forlán, Kun, Benzema, Kaka, etc., fazendo-os jogar a meio desta semana, sabendo que Portugal tem dois jogos decisivos na próxima semana?
Mas o que espero mais ansiosamente é saber a posição do jogador. Vamos ter um acto de patriotismo ou afinal os 100 milhões também compraram a nacionalidade?
Mas o que espero mais ansiosamente é saber a posição do jogador. Vamos ter um acto de patriotismo ou afinal os 100 milhões também compraram a nacionalidade?
Esperemos os próximos capitulos...
Algo bom Hitler tinha que fazer.
Há 70 anos que se suspeitava que a Espanha franquista projectara invadir Portugal. Primeiro, os falangistas vitoriosos desafiaram o caudilho a "fazer um passeio triunfal até Lisboa", em Março de 1939. Depois, com a II Guerra Mundial, Franco aproximou-se perigosamente de Hitler. Contudo, faltavam provas credíveis dessas intenções.
Graças ao investigador espanhol Manuel Ros Agudo, confirma-se que, em Dezembro de 1940, Portugal esteve a um passo de ser invadido. O documento, dos arquivos da Fundação Francisco Franco, descoberto em 2005, "é precioso", comentou ao Expresso o historiador Fernando Rosas. "Prova que os espanhóis não só tinham um plano de invasão, como o tencionavam executar à margem dos alemães".
Melhor não voltar para Portugal antes de 2030
Os optimistas que me desculpem, mas preocupação é fundamental. Os dados divulgados esta semana sobre a economia portuguesa têm um lado positivo a curto prazo (a recessão será este ano menor que o esperado e menos má que a média europeia) mas outro muito negativo quando se olha para os próximos dois anos.
Com efeito, quando se perspectivam 2010 e 2011, o cenário deixa-nos de cabelos em pé. Primeiro, confirma-se a tendência que vem de trás: vamos demorar mais tempo a sair da crise do que a União Europeia e registar crescimentos anémicos nos próximos anos. As outras duas tendências pesadas serão o disparo da dívida pública e a persistência do défice orçamental em valores muito elevados.
Para se fazer ideia de quão preocupante é esta evolução, recorde-se a previsão de Bruxelas sobre a dívida pública em percentagem do PIB: 77,4% em 2009, 84,6% em 2010 e 91,1% em 2011! Em 2002, este valor era de 55,5%. Ora o Pacto de Estabilidade e Crescimento estabelece que a dívida pública não deverá ultrapassar 60% do PIB. E Bruxelas vai dar cada vez mais atenção à dívida e menos aos défices, porque os governos em dificuldades não hesitam em retirar do perímetro de consolidação orçamental tudo o que possam.
O Executivo de José Sócrates não tem sido peco nesta matéria. Nestes últimos anos tem-se assistido, como bem lembra o ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga, em artigo que publicaremos para a semana, a um emagrecimento contabilístico do universo do Sector Público Administrativo (SPA), com a transformação de órgãos das administrações públicas em empresas ou entes públicos empresariais; e suborçamentação sistemática das indemnizações compensatórias pelo serviço público prestado pelas empresas públicas de transporte e das transferências para os hospitais, diminuindo artificialmente o défice público anual.
É um truque clássico que, como se disse, merecerá cada vez mais atenção de Bruxelas nos próximos anos, sobretudo em países com elevados défices orçamentais. E nós deveremos estar, segundo a Comissão Europeia, com um défice de 8% este ano e no próximo e de 8,7% em 2011. Ou, de acordo com Catroga, um défice actual já acima dos 10% e uma dívida pública total (directa e indirecta) acima de 100% do PIB.
Vejamos então o cardápio de remédios que o FMI receita para voltarmos a cumprir em 2030 (!) os 60% da dívida em relação ao PIB: não renovar as medidas de combate à crise, congelar em termos reais a despesa pública per capita com saúde e pensões durante dez anos (!) e reforçar as receitas fiscais através do alargamento da base tributária, do combate à evasão e aumento dos impostos (!).
Junte-se a isto o apelo por parte de vários economistas e do próprio Banco de Portugal para que se verifique uma grande moderação salarial, sob pena de aumentos salariais acima dos ganhos de produtividade de cada empresa se tornarem "fábricas de desemprego" no futuro próximo, segundo Silva Lopes. E acrescente-se a previsão de que a banca portuguesa vai ter um ano muito difícil em 2010, com o agravamento do incumprimento, sobretudo no crédito concedido às PME, que vão ser as mais afectadas pela crise económica, e que constituem mais de 95% do tecido empresarial português. Quer cenário mais dantesco?
Por outras palavras, a nossa principal restrição é já e será ainda mais nos próximos anos o endividamento externo, a par de um crescimento insustentável da despesa pública. Ou travamos violentamente às quatro rodas ou alguém o fará por nós. E em nenhum dos casos o futuro será agradável
Nicolau Santos in Expresso
A face visível de Portugal
O Relatório de Outono da Comissão Europeia sobre a conjuntura económica portuguesa contém três boas notícias já para o ano de 2010. A primeira é que o crescimento do PIB será retomado, devendo atingir os 0,3%, depois de ter sido negativo em 2,9% neste ano (acima da média da UE, que foi de 4% negativos, mas a crescer menos de metade do que vai crescer o PIB na UE); a segunda, é que o desemprego não aumentará, mas também não diminuirá, mantendo-se nos actuais 9%; a terceira é a retoma em terreno positivo das exportações, depois de uma queda para menos 14% em 2009. E fim das boas notícias.
Agora, a factura. O défice público, segundo Bruxelas, vai acabar o ano em 8% do PIB - bem acima dos 5,9% anunciados pelo Governo, e, pior ainda, vai manter-se assim em 2010 e aumentar para 8,9% (uma barbaridade!) em 2011. Em consequência, a dívida do Estado português, que representava já 66% do PIB em 2008 e que passou este ano para 77,4%, passará em 2010 para 84,6%, e em 2011 para uns inacreditáveis 91%. E basta de números, fiquemos apenas com esta realidade: dentro de dois anos, seria necessário alocar praticamente toda a riqueza produzida no país durante um ano inteiro para saldar a dívida pública - pondo fim ao pagamento de juros que aos poucos vai sugando o país, transmitindo à geração seguinte um Estado endividado até ao pescoço. Teixeira dos Santos justifica o descontrolo do défice (derrapagem é adjectivo que já não chega para caracterizar a situação) com a crise económica: o que aconteceu, diz ele, não foi o aumento da despesa do Estado, mas sim a diminuição da receita fiscal. Com certeza que tem razão, mas a despesa do Estado subiu também - em parte motivada pelo acréscimo de prestações sociais, como o subsídio de desemprego e o rendimento mínimo - e atingiu o patamar psicológico dos 50% do PIB. Metade de toda a riqueza produzida no país inteiro pelas empresas e pelos trabalhadores é gasta pelo Estado.
Portanto, estes são os dados: temos um Estado que consome metade do que produzimos, cuja riqueza malbaratada impede os cidadãos de melhorarem a sua própria situação, e que, mesmo assim, todos os anos se endivida mais, porque a receita que tem e que tanto nos custa a pagar (aos que pagam...) não chega para os seus gastos, sempre crescentes. Por isso, endivida-se, ano após ano, e o serviço da dívida, os juros que paga, são já parte significativa da sua própria despesa. É como uma família em que um dos cônjuges trabalha e traz riqueza para casa e o outro vive a gastá-la e a acumular dívidas, que um dia passarão aos filhos, se antes a própria família não decretar insolvência. Não me interessa muito saber se a solução há-de ser socialista ou neoliberal, trata-se de uma questão de boa-fé. Não é justo nem sustentável indefinidamente que metade dos portugueses continue a trabalhar, investir, inovar e produzir riqueza para que a outra metade trate de a gastar alegremente e ainda exija sempre mais.
É a esta luz que se torna obrigatório meditar nas tais 'grandes obras públicas' que o Governo nos propõe como grande medida de política keynesiana e com o entusiástico apoio da CIP e da Associação dos Construtores de Obras Públicas. Quando, como já aqui o escrevi, tropeço em coisas como o contrato celebrado entre o Porto de Lisboa (Estado) e a Liscont/Mota-Engil para o Terminal de Contentores de Alcântara, eu tenho a penosa certeza de que estou pessoalmente a ser roubado pelos advogados do Estado e a benefício do sr. Mota - decerto uma estimável pessoa que não tenho o prazer de conhecer, mas que também me dispenso de ajudar a enriquecer com o dinheiro do meu trabalho. E o mesmo quando vejo as acções da Mota/Engil subirem 13% em bolsa no dia seguinte às eleições legislativas terem confirmado novo Governo PS. Ou quando constato que, semanas depois, a Mota/Engil ganhou mais um concurso de construção e concessão de exploração de uma nova auto-estrada - a do Pinhal Interior (alguém me pode informar onde fica isso ou para que serve?). Ou quando leio que foi alterado o regime das concessões rodoviárias, seguindo o modelo do contrato para o Terminal de Contentores de Alcântara, onde todo o risco do negócio é assumido pelo Estado e os privados ficam só com lucros garantidos ou indemnizações compensatórias. Ou quando vou sabendo pelos acórdãos do Tribunal de Contas (que, por si só, deveriam cobrir de vergonha qualquer governo), que se tornou prática corrente dos concursos de empreitadas públicas licitar com um preço imbatível e, uma vez ganho o concurso, subir o preço muito além do da concorrência, invocando toda a ordem de pretextos.
Perguntem-me se eu confio neste Estado e neste Governo para lançar, em nome do 'interesse público', as empreitadas das grandes obras como o novo aeroporto de Lisboa, o TGV ou a nova ponte rodo-ferroviária sobre o Tejo, em Lisboa? Não, não confio. E não só porque se trata de obras inúteis e até prejudiciais a Lisboa, como a ponte ou o novo aeroporto, mas porque, na situação financeira em que nos encontramos, são quase obscenas. E, depois, porque não tenho a mais pequena fé de que os custos não disparem, que não haja negócios e adjudicações de favor, tráfico de influências, grandes oportunidades de enriquecimento para a meia dúzia de sociedades de advogados de Lisboa que vivem disto e, no final de tudo, que alguma das obras anunciadas se sustente a si própria e não venha a ser antes mais uma fonte de despesa pública a perder de vista.
Oiça, José Sócrates: o país que trabalha, que estuda, que inova, que arrisca e que dá trabalho a outros; o país que não foge ao fisco nem tem offshores e que paga impostos até por respirar; que não enriquece na bolsa nem vive a mendigar subsídios do Estado; que paga a escola dos filhos, as suas despesas de saúde e o seu plano de reforma, nada esperando da Segurança Social; o país que tem pudor em fazer negócios escuros com as autarquias ou as empresas públicas; o país que ainda não apanhou um avião para o exílio mas que também não deseja um lugar nos aviões das suas visitas de Estado a Angola, esse país está a ficar farto. Acredite que está. Não se manifesta nas ruas nem se organiza em 'Compromissos Portugal', que não são compromisso nem são Portugal. Mas existe e um dia destes explode. Nesse dia, o dr. Teixeira dos Santos vai-se espantar por descobrir que, mesmo já sem crise, a receita fiscal não há maneira de voltar a subir. Porque o animal raro conhecido por otário se terá extinto de vez.
Faz agora um ano que, 'para evitar o risco sistémico', o Governo nacionalizou os prejuízos do BPN. Um ano depois, a conta para os contribuintes já vai em 3,5 mil milhões de euros - três mil milhões e meio de euros! Vale a pena fazer as perguntas, em jeito de balanço: se o risco era sistémico, isso quer dizer que toda a banca funcionava no esquema de vigarice institucionalizada do BPN - foi isso que se quis esconder? Se o risco era sistémico, porque é que a banca privada não ajudou a banca pública a acorrer ao BPN? E, agora, tendo gasto mais dinheiro com o BPN do que gastou a pagar os subsídios de desemprego a meio milhão de desempregados, que lição, se é que alguma, extrai o governo dessa aventura? Que mensagem, se é que alguma, lhe ocorre dar aos pagadores de impostos?
Miguel Sousa Tavares in Expresso
domingo, 8 de novembro de 2009
Velocidade furiosa
Um avião da Northwest Airlines ignorou os apelos do aeroporto de Minneapolis onde devia aterrar e seguiu durante mais 250 quilómetros em linha recta. Temendo que o aparelho tivesse sido tomado por terroristas, caças prepararam-se para levantar. Finalmente os pilotos responderam estremunhados e deram meia volta. Durante dias especulou-se se estariam ambos a dormir no cockpit. Finalmente na semana passada admitiram: estavam tão entretidos nos seus laptops que não ouviram as comunicações e o avião seguiu em piloto automático.
Os pilotos lá foram suspensos pelas autoridades aeronáuticas e ficámos todos descansados pois não havia nem terroristas nem peças com problemas estruturais, coisas que fazem cair aviões. Treta. A causa de muito acidente neste mundo é tédio. Não ter os sentidos apurados e adrenalina a bombar. O problema é que os dois homens - altamente especializados - estavam aborrecidos de morte de ir ali sentados sem nenhum botãozinho para carregar e nada para apalpar que as políticas antiassédio sexual dos americanos não estão pelos ajustes.
Tédio e pilotagem é uma má combinação. De alguma forma é similar quando vamos, num domingo à tarde, numa auto-estrada novinha e vazia num carro que garante dar 260 e por uma jura ao santo protector das multas lá seguimos ajuizadamente a ronronar à velocidade legal.
Longe vai o tempo em que antes de uma viagem o pai demoradamente revia as condições gerais da viatura e calçava as luvas de cabedal sem dedos depois de ter deixado o motor a trabalhar uns minutos e arrancávamos na EN. Conduzir exigia mestria, esforço e dedicação.
Hoje o acto de conduzir na auto-estrada em longas viagens foi destituído desse stress - claro que para compensar há a raiva de condutor matinal, aquela coisa de querer esventrar o tipo da frente, ou de ficar a espumar por casa do fulano que nos fechou na fila de uma hora, mas é diferente - isso é Ira-IC19 ou Esgana da Circunvalação. Mas a esta falta de adrenalina 'por ir conduzir' junta-se o 'mito' do 'automultitasksimo'. É verdade que tal como muitos já não falo ao telemóvel sem um auricular porque dá muito nas vistas à polícia e as multas estão caras mas, para entretenimento de viagem e em contrapartida, posso pôr o carro em cruise control a 120 e comer uma sandes de leitão e beber uma Coca-Cola Zero (meros 'actos inibidores da condução' no jargão policial), ver TV no 3G, mandar sms a dizer o que estou a fazer, fazer uploads de fotos no Facebook comigo a conduzir e a comer, e dar uma twittada para irem ver a foto no meu Facebook, e depois para fazer a digestão dos actos inibidores e ver o filme Velocidade Vertiginosa II na PSP, o que torna a condução muito menos aborrecida, ao contrário dos pilotos da Northwest que estavam circunscritos ao laptop sem net.
A questão dos sms durante a condução é um problema de difícil controlo pelas autoridades. A repressão é complexa, apenas na Grã-Bretanha é levada á sério - e as campanhas de sensibilização são praticamente inexistentes. Os especialistas em questões rodoviárias dizem que responder ou ler um sms equivale a tirar os olhos da estrada seis segundos. Seis segundos são uma eternidade.
É um fenómeno transgeracional. De repente o carro da frente passa inexplicavelmente de 110 para 90 na faixa central sem toque de travões e respectivo sinal de luz traseira (foi apenas o acelerador que deixou de ter 'gás"). E lá está o/a imbecil a responder a um sms. Ou seja, a olhar para o entrepernas e a dedilhar sem prestar peva à estrada.
A minha proposta, e que me parece de uma sensatez intocável, é a seguinte: quem decidir entregar o telemóvel antes de começar viagem tem direito a ir a 160 pois irá atento, focalizado, centrado com toda a sua atenção na estada. Quem não prescindir do aparelho terá que se ficar nos 110 sempre na faixa mais à direita. Parece-me que é um começo.
Há já um caso britânico de condenação a prisão efectiva a 21 meses numa prisão alta segurança por troca de sms durante uma viagem que acabou num acidente que provocou a morte de uma jovem na estrada. E provou-se que a distracção na condução foi provocada pelo toque de uma mensagem a chegar e não pela escrita de uma.
Luis Pedro Nunes in Expresso
PS: Para quando as autoridades metem na cabeça que não é a velocidade a principal causa acidentes?
O começo de Blogs de Vista

Cada vez mais as nossas vidas não passam de um frenesim constante sem tempo para nada mas, analisando as nossas vidas em momentos de tranquilidade, deparamo-nos com uma realidade totalmente dominada pelo vazio em que se transformou o nosso dia a dia, onde não somos capazes de viver sem estar à frente de un ecrãn, sem internet, sem ver as novidades nas redes sociais virtuais em que tentamos destacar-nos, em vez de preocuparmo-nos em viver o mundo real à nossa volta e ver e usar as novas tecnologias para o que realmente interessa: informação e conhecimento.
Este blog tem como objectivo apenas expor e divulgar os meus pontos de vista e os pontos de vista de quem eu concordo sobre o que se passa no mundo. Não tenho nenhumas intenções com este blog, simplesmente combater alguns momentos de aborrecimento tecnológico dos meus dias.
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