quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Let's talk about sex baby...


Bem mais activos que os japoneses, que em média fazem sexo apenas 45 vezes por ano, e também acima dos espanhóis (104), mas atrás dos gregos que lideram destacados em fogosidade (138 vezes ao ano), os portugueses fazem amor 108 vezes por ano, o que dá uma média arredondada de duas vezes por semana.

As conclusões, publicadas na edição desta quinta-feira do jornal Diário de Notícias, fazem parte de um estudo promovido, em 2005, pela marca de preservativos Durex, sobre os hábitos sexuais num total de 41 países, envolvendo 317 mil inquiridos.

Mercê da sua performance, Portugal ocupa o 18.º lugar no ranking dos países analisados, facto que, ainda assim, não impede que os portugueses se sintam tão insatisfeitos com a sua vida sexual quanto os japoneses (24%).

De acordo com o estudo, apenas 33% dos nacionais dizem estar satisfeitos com a sua vida sexual, o que representa uma taxa inferior à média dos 41 países (44%), ficando ainda abaixo da dos espanhóis (48%).

No conjunto de todos os países, os homens são quem menos se conforma com a frequência das suas relações sexuais: 41% gostaria de o fazer mais vezes, um valor claramente acima dos 29% de mulheres com a mesma reclamação.

Em Portugal, 19% dos homens e mulheres em conjunto gostaria de ter uma vida sexual mais activa.

Contudo, apesar das «queixas», apenas 7% dos 317 mil inquiridos consideram que a sua vida sexual é monótona - e em Portugal essa percentagem não vai além de três, o que, segundo o DN, não deixa de ser uma situação interessante.

Os locais para a prática do sexo são outra revelação, já que, sem contar com o quarto, as preferências vão maioritariamente para o carro (50%), com os portugueses a surgirem acima da média - 60% assumiu já ter feito amor no carro. Apesar disso, são os norte-americanos, com 70% a preferir sexo sobre quatro rodas, quem surge em primeiro lugar.

No top das preferências dos portugueses como local sexy vem, logo a seguir ao carro, a casa de banho (60%), embora não seja possível saber, por exemplo, se é a banheira ou o chão de ladrilhos que faz perder a cabeça aos amorosos.

Em terceiro lugar, os casais portugueses escolhem a praia como local exótico para fazer amor (44%), preferência em que apenas são ultrapassados pelos gregos (57%), croatas (54%), chilenos (52%) e neozelandeses (45%).

Neste ponto, refere ainda o DN, a imaginação não tem mesmo limites. Há quem eleja o trabalho como local erótico (15% de todos os inquiridos) - e os portugueses (13%) não ficam muito abaixo da média. Há quem o faça no parque (31% do conjunto dos inquiridos, e taxa igual para os portugueses), há quem perca a cabeça numa festa (27% em média), o que acontece com 39% dos portugueses. E há até quem já o tenha feito em aviões. É certo que esta é mesmo uma minoria (2% na média dos inquiridos, com os portugueses exactamente na mesma percentagem). Os islandeses (6%) são os campeões do sexo no ar.

Quanto a experiências diversas, há situações para todos os gostos, mas a mais comum é mesmo a da relação sexual ocasional: 44% de todos os inquiridos admitem que tiveram essa experiência de uma noite única com uma pessoa (os portugueses estão abaixo da média com 37%) e 22% confessam que tiveram relações extraconjugais - aqui os portugueses estão acima da média, com 24% a confessarem a sua infidelidade.

Os devaneios e fantasias dos portugueses vão do triângulo amoroso (12%) ao sexo tântrico (8%) e ao uso de um lubrificante (29%). Mas, curiosamente, é o sexo anal, com 44% de aderentes, que bate o recorde das preferências nesta matéria.


in http://forum.autohoje.com/off-topic/29997-sexo-portugueses-no-top-20-mas-insatisfeitos.html

A vergonha continua


Depois de ver a forma a França eliminou a Irlanda só me apetece vomitar e deixar de ver futebol. Mais vergonhoso ainda é o total branqueamento no sítio oficial da UEFA, onde nem uma palavra menciona a forma como a França marcou o golo. "...The defender made amends just after the hour, denying Thierry Henry when in behind the visitors' defence. Ireland should have been two in front a minute previously, though. In a role reversal, Keane laid on Duff but the midfielder, one-on-one with Lloris, scuffed his shot at the goalkeeper. After Anelka had spurned a header akin to that missed by Doyle, Keane passed up an opportunity of his own, running out of room having attempted to round Lloris. And so came extra time where in the eighth minute a hopeful France free-kick found its way to Henry, who squared for Gallas to head the goal that takes his country to South Africa."

Ver Video do "golo"

Mas continuo a sonhar que um dia esta gente desaparecerá do mundo dos vivos...

Os números não metem


Gostem ou não do jovem milionário uma coisa é certa, e os factos são inegáveis, sempre que a selecção luso-brasileira jogou sem o Ronaldo ganhamos sempre. Será por jogarem como equipa sem vedetas dentro de campo? É caso para dizer... obrigado bruxo! Parabéns pelo apuramento.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sócrates enfia uma "vara" no cú dos contribuintes


Pouco a pouco vamos sabendo as verdades destes pseudo-socialistas que nos andam a governar há 14 anos. Depois de Pina Moura ter vendido o país aos espanhóis em troca da presidência das delegações dessas empresas em Portugal, de sabermos que o fugitivo Guterres é um dos homens mais influentes do mundo segundo a revista Forbes, estamos agora a descobrir os negócios do amigo que Sócrates colocou nas empresas públicas...

Ficámos  a saber que Armando Vara multiplicou o rendimento anual por quatro em pouco mais de dez anos, passando de um ganho anual de trabalho dependente de 59 486 euros, em 1994, para 239 541 euros, em 2007 e que o agora antigo vice-presidente do Banco Comercial Português (BCP) vai continuar a receber um salário de cerca de 30 mil euros brutos até ao apuramento dos factos, apesar de ter suspenso as funções...


Hoje o jornal Público relata um pouco do passado presente da vida da "Vara" que Sócrates enfiou aos portugueses. Felizmente já há alguns meses que fechei a minha conta no "Banco de Corruptos Portugueses" (BCP)...

As armas de Vara

Foi no início de 2008 que o agora arguido chegou ao BCP pela mão do actual CEO, Carlos Santos Ferreira. A transferência da CGD, onde ocupava um lugar destacado na administração, para o banco privado surge num contexto de turbulência, com os ex-gestores liderados por Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto a serem alvo de investigação pelas autoridades. O convite partiu de accionistas do BCP, como António Mexia, da EDP, Manuel Fino, da Soares da Costa, Teixeira Duarte e Joe Berardo, e contou com a luz verde do BdP e do Governo.

Apesar de as decisões serem colegiais, Vara, como qualquer gestor executivo tem um enorme poder no banco. Depois, embora lhe reconheçam capacidade de trabalho, é visto como um corpo estranho ao sector, alguém que fez carreira na política e subiu até à gestão. No BCP, tal como na CGD, Vara assume uma relevância particular: surge como uma escolha pessoal do CEO, também ele do universo socialista, com uma linha directa aberta para José Sócrates (de quem é amigo) e com pelouros de grande conteúdo. Vara ficou responsável pelas áreas (corporate) onde se incluem as instituições do universo público e os clientes privados mais importantes, como a PT, a EDP, a Teixeira Duarte, Joe Berardo, Joaquim Oliveira ou Manuel Fino. Em causa estão activos de cerca de 20 mil milhões de euros.

Como de resto sucede na banca, este grupo de clientes tem acesso directo ao administrador com o pelouro. Em simultâneo Vara ficou ainda responsável pelos activos em Angola (Millennium Angola), onde se deslocava frequentemente, e gerindo as relações com o maior accionista do BCP, a petrolífera estatal Sonangol. Foi-lhe entregue ainda a gestão do orçamento anual da Fundação BCP, cerca de três milhões de euros, assim como a dotação para o marketing, de cerca de 16 milhões de euros. Foi por iniciativa de Vara que o BCP entrou em força no universo futebolístico, afectando cerca de 30 por cento do orçamento de marketing a apoios desportivos.

A estratégia seguida por Vara de ligação ao mundo da bola arrancou no final de 2008 quando se ficou a saber que a FPF negociou com o BCP o patrocínio da Taça de Portugal que passa a designar-se Taça de Portugal Millennium. O acordo é válido para as três épocas seguintes. Antes os direitos pertenciam à Olivedesportos de Joaquim Oliveira, cliente do BCP. O nome de Oliveira consta alegadamente das escutas policiais a conversas entre Vara e José Sócrates, que integram oito certidões extraídas pelo DIAP de Aveiro. Em 2005 Oliveira contraiu créditos no BCP entre 250 e 300 milhões de euros para comprar o grupo Lusomundo, cujos prazos de reembolso foram recentemente alvo de renegociação, estendendo-se a 2012.

Mais do que palavras são os seus significados que estão esquecidos


CIVISMO

Talvez seja uma palavra gasta. Como cidadania. Como amor. Ou como a velha e, por isso, vilipendiada democracia. O que gasta as palavras não é o excesso de uso, mas a falta de correspondência. O que é o amor, quando não é acto de dádiva? Sem gestos, trabalho, coragem, as palavras secam. O amor dos portugueses pelas palavras é demasiado platónico. Habituámo-nos à beleza das palavras nos livros, uma beleza de folhas secas, outonal, consolação desconsolada do que podia ser mas nunca foi. Vivemos de sonhos e queixumes, alucinados pelo que nos falta e faltando à realidade que os sonhos nos pedem. Adiamos. Adiamo-nos. Dizemos que matamos o tempo e deixamos que o tempo nos mate. Um dia destes, pensamos, vou dizer tudo o que não disse. Vou fazer tudo o que não fiz. Pensamo-lo com raiva e desespero e vontade e paixão, solitários por entre as gentes. Depois respiramos fundo e adiamos. Por medo ou brandura ou nem isso. Coisas mais pequenas: cagaço, moleza. Ou a grande palavra dos países que não souberam crescer: deslumbramento. O lado de fora do servilismo, que é o avesso concreto do civismo. Precisávamos de criar um dicionário novo, onde as palavras reluzissem com o significado que possuíam antes de as usarmos como trampolins para tronos de miseráveis poderes, porque é miserável todo o poder que se serve a si mesmo em vez de servir a melhoria do mundo.

Amanhã estaremos todos mortos, meus amigos. Sobreviverá a Terra, com a marca que nela deixarmos. Sobreviverá a poeira da memória que deixarmos nos outros - só isso. Civismo é compromisso com o futuro, exercício de amor. E o amor não correspondido desmorona-se, apaga-se, desfaz-se em névoa e amargura. Nem as pedras resistem ao abandono - a profusão de palácios, edifícios e monumentos em ruína acelerada testemunha os efeitos dessa falta de civismo com que nos desrespeitamos a nós mesmos e à nossa História. A areia das praias cheia de lixo, as ondas do mar carregadas de latas, sacos de plástico, garrafas que trazem a mensagem da nossa pior pobreza, que é a de espírito. As fachadas riscadas de insultos e sujidade são o nosso rosto como nação. Deveríamos começar por aplicar a ira que dirigimos à actriz brasileira Maité Proença por cuspir num monumento diante das câmaras de televisão a todos os portugueses que diariamente escarram no chão ao nosso lado - e são muitos. E também aos que estacionam os carros no meio da rua para irem tratar da sua vidinha, imunes ao incómodo que causam à vida dos outros. E ainda aos que furam filas, a olhar para o ar, aos que acham natural que lhes abramos as portas sem se dignarem a soltar uma palavra de agradecimento. E são imensos os que não sabem agradecer as portas que se lhes abrem, física ou metafisicamente. Civismo é memória e gratidão. Ao cessar as suas funções como presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Paula Teixeira da Cruz lembrou a necessidade de agradecer aos que sabem servir generosamente a causa pública, sem olhar a divisões partidárias. E sublinhou a urgência da prática do civismo como forma quotidiana de combate às múltiplas corrupções. O seu mandato à frente do Parlamento da cidade foi um exemplo de dedicação isenta e valorosa à causa pública. Há outros exemplos assim - mas poucos, muito poucos para que a mudança do país possa ser real.

Enquanto o assalto à vara sobre o erário público continuar a compensar, enquanto os que traem metodicamente os seus compromissos e fazem da lealdade sinónimo de subserviência continuarem a prosperar, enquanto os que vivem a lamber as botas dos poderes vigentes, mendigando mordomias, continuarem a latir de contentes, o país não sai de crise nenhuma. Para isso era útil que os políticos aprendessem aquilo que a lisonja lhes faz esquecer, essa coisa simples que é distinguir o trigo do joio. Os 'valores' com que enchemos e despejamos a boca começam por aí, e é facílimo: basta atender às acções das pessoas, à sua entrega ao bem comum, à correspondência entre o que dizem e o que fazem. Basta não ceder à tentação de confundir lealdade e oportunismo, arrogância e liderança, gabarolice e eficiência. Poucos são os que resistem a tempo inteiro ao encantamento do poder - mas cada um de nós, nas suas acções e atitudes quotidianas, é responsável por isso. Os que hoje mandam não são diferentes de nós - e é em nosso nome e para cada um de nós que exercem a profissão de decidir.

Inês Pedrosa - Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A verdade sobre a Gripe A


Depois de ter estado de cama com gripe A sem grandes sofrimentos e sintomas insuportáveis, inicou-se há pouco tempo a campanha de vacinação e já começam a surgir as primeiras mortes de pessoas ou fetos após tomarem a vacina, parecendo-me importante que vejam este video para que conheçam a verdade sobre o aparecimento desta nova doença e os verdadeiros beneficiados da mesma.

Tomem, tomem, tomem


Inicialmente era apenas um medicamento antidepressivo, mas um estudo da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte (Estados Unidos) e da Universidade de Ottawa (Canadá) revela que a flibanserina também desperta o desejo sexual nas mulheres com pouca libido.

“A flibanserin era um antidepressivo. Contudo, verificou-se que aumenta a libido em animais de laboratório e seres humanos. Então, fizemos vários ensaios clínicos e as mulheres que participaram no estudo porque tinham pouco desejo sexual confirmaram sentir melhorias e ter experiências sexuais satisfatórias”, explicou John M. Thorp Jr., líder do estudo. Na experiência, participaram 1976 mulheres com mais de 18 anos e em idade fértil, que tomaram flibanserina aleatoriamente durante 24 semanas.

Segundo os investigadores, o medicamento é um fármaco semelhante ao Viagra, mas para mulheres cujo principal problema sexual é a diminuição do desejo. Para já, ainda só está disponível para ensaios clínicos, mas os investigadores acreditam que poderá ser um tratamento eficaz, sem os inconvenientes efeitos secundários da actual terapia de reposição hormonal.

por Sandra Pereira , Publicado em 16 de Novembro de 2009 no Jornal I

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Só nós podemos mudar as coisas


Pode ser que me engane, mas o potencial de danos que Armando Vara pode vir a causar a José Sócrates é bem maior do que todos os outros casos ou pretensos casos que tanto desgastaram a imagem do primeiro-ministro e tão decisivamente contribuíram para a perda da maioria absoluta do PS. Armando Vara (e não a 'Face Oculta') tem a capacidade de, por si só, arrastar Sócrates para a queda num poço de que se desconhece a profundidade. Há amizades que matam, quando se misturam com outras coisas que não são misturáveis. Foi José Sócrates quem, em nome da amizade (porque competência ou qualificação para o cargo ninguém a conhecia, nem ele), fez de Armando Vara administrador do banco do Estado, três dias depois de este ter adquirido uma espécie de licenciatura naquela espécie de Universidade entretanto extinta - e porque uma licenciatura era recomendável para o cargo. E foi José Sócrates quem, indisfarçadamente, promoveu a transferência de Santos Ferreira e Vara da Caixa para o BCP, numa curiosíssima operação de partidarização do maior banco privado português, sobre as ruínas fumegantes do escândalo em que tinha acabado o case study da sua gestão 'civil'.

Manda a verdade que se diga, porém, que estes dois golpes de audácia de José Sócrates em abono de um amigo e compagnon de route político foram devidamente medidos: aparentemente, Sócrates contava com o silêncio e aceitação cúmplice com que toda a classe empresarial e financeira recebeu a meteórica ascensão de Armando Vara aos céus da banca e o take-over do PS sobre o BCP, como se de coisa naturalíssima se tratasse. O escândalo não ultrapassou as fronteiras da opinião pública, de modo a perturbar o núcleo duro do regime. E isso foi um primeiro sinal do nível de promiscuidade aceite entre o político e o económico a que estamos agora a assistir. E, em silêncio sempre, toda a classe empresarial clientelar foi assistindo a uma série de notícias perturbadoras sobre operações bancárias a favor de algumas empresas ou investidores que, por acaso certamente, pertencem ao tal núcleo duro do regime, que goza do favor político da actual maioria. Sempre escrevi aqui que, em minha opinião, o problema do PS não é o que ele deixa de fazer em benefício dos pobres, mas o que faz e consente em benefício dos potentados. O fascínio com o grande capital e os grandes negócios (inspirados, promovidos ou pagos pelo Estado) é a perdição do PS. Aos poucos, este PS tem vindo a copiar o modelo de gestão introduzido por Alberto João Jardim na Madeira: negócios privados com oportunidades e dinheiros públicos, em troca da solidariedade política para com o Governo. Um capitalismo batoteiro, com chancela 'social' e disfarce de 'interesse público'.

Neste clima de facilitismo instalado, já ninguém se espanta com as sucessivas e tremendas notícias sobre o estado de gestão do 'interesse público'. Já não espanta descobrir que nenhuma das contrapartidas da ruinosa e inútil aquisição dos submarinos tenha sido executada e que a sua execução nem sequer esteja devidamente salvaguardada no contrato assinado pelo Estado português. Não espanta que a Grão-Pará (uma empresa que não existiria sem os sucessivos favores do Estado, incluindo do ex-ministro e ex-socialista Pina Moura), possa, finalmente e com o beneplácito do Supremo Tribunal Administrativo, construir, e em grande, na zona de construção proibida do Parque Natural Sintra-Cascais. Não espanta que, antes mesmo de lançadas ou terminadas as obras, as últimas seis concessões de auto-estradas já tenham ultrapassado em 40% o valor das estimativas do Governo - num impressionante 'deslize' de 1110 milhões de euros. Não espanta que o Tribunal de Contas chumbe duas das adjudicações porque as condições em que elas foram outorgadas não são as mesmas do concurso público, mas substancialmente mais gravosas para o Estado. E não espanta que o presidente das Estradas de Portugal venha afirmar que se trata apenas de "interpretações jurídicas" diversas e que a suspensão das empreitadas irá pôr em causa postos de trabalho (um 'argumento' mágico que vale para justificar todas as tropelias cometidas nos últimos anos, em matéria de urbanismo e obras públicas). E não espantará ninguém que, como aqui escrevi a semana passada, em breve se descubra que, antes mesmo de iniciadas as obras, já o TGV e o aeroporto de Alcochete 'derraparam' 20 ou 30% sobre o seu custo anunciado. E, se se conseguir penetrar a meticulosa teia de 'pareceres' técnicos, estudos, cláusulas ocultas dos contratos, arbitragens sempre desfavoráveis ao Estado, se formos tentar descobrir como, porquê e a favor de quem é que não há uma obra pública que cumpra o orçamento, encontraremos sempre mais do mesmo - os mesmos processos, os mesmos truques, as mesmas empresas, os mesmos 'facilitadores' de negócios no papel de go between entre o 'interesse público' e os negócios privados. Isto, num país onde o défice das contas do Estado chegou aos 8% e a dívida pública aos 80% do PIB e o extermínio fiscal sobre os que pagam impostos se tornou insustentável. O ar está a ficar irrespirável.

Como se tudo isto não fosse já alarmante, eis que a justiça implodiu de vez e à vista de todos, em sucessivas cenas lamentáveis na praça pública. A coisa ficou tão anárquica que já se tornou normal ver os jornalistas irem pedir opiniões sobre os casos mediáticos pendentes aos sindicatos dos juízes e do Ministério Público! Não fosse a PJ (única entidade da justiça que ainda merece algum crédito) e um seu investigador de Aveiro, e a 'Face Oculta' nunca teria conhecido a luz do dia ou teria logo patinado. Mas, como os maus hábitos nunca se perdem, eis que tudo já entrou na normalidade, com as escandalosamente normais fugas do segredo de justiça a invadirem a imprensa, tratando de sabotar alegremente uma investigação até aqui conduzida num exemplar silêncio e profissionalismo. E já só pode dar vontade de rir (ou de chorar!) assistir ao espectáculo único de ver os dois mais altos magistrados do país - o presidente do Supremo e o PGR - trocando galhardetes de antiga amizade fundada em rivalidades sindicais, empurrando um para o outro as malditas escutas entre Armando Vara e José Sócrates. Seja qual for o conteúdo de tão sensível material, e mesmo que jamais o venhamos a saber, eles conseguiram já o pior de todos os resultados: instalar uma suspeita mortal sobre o primeiro-ministro e o funcionamento da própria justiça, que não tem reparação possível. É, de facto, notável que o único cidadão deste país que não entende que há coisas que não podem esperar dois meses ou até oito dias para serem reveladas, seja o cidadão que ocupa o lugar de procurador-geral da República! Realmente, o lugar parece estar amaldiçoado e desde há muito.

Junte-se então um governo cujo primeiro-ministro é dado a companhias comprometedoras, um sistema em que se fundem e confundem o político e o económico, o público e o privado, uma justiça que verdadeiramente se tornou cega e surda, mas não muda, um Presidente da República que se desautorizou a si próprio no pior momento, e um país onde as noções de interesse público e serviço público já quase se perderam por completo sem vergonha alguma, e tudo isto começa já a cheirar indisfarçadamente mal. Cheira a fim de regime e só os loucos ou os extremistas é que podem achar isso uma boa perspectiva para o futuro.

Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009

FIFA 10 vs PES 2010: Qual é o melhor?


PES ganha na aparência, rapidez e inteligência artificial, Fifa domina no realismo e nos comentários.

A coisa quase toma contornos clubísticos quando se fala na eterna luta entre a EA e a Konami para ganhar o título de campeão dos jogos de futebol (e de vendas).
 

Olhó robô

O que mais tem dividido os fãs de uma ou outra série são a jogabilidade e as licenças de utilização dos nomes e imagens reais dos jogadores. Até agora, e sobretudo nos últimos dois anos, a gigante EA não deu hipótese à Konami de para se impor. Este ano a diferença entre os dois títulos atenua-se e, ao mesmo tempo, aumenta, sempre a favor do PES: atenua-se nas licenças – o PES tem agora, para além da Liga dos Campeões, a Liga Europa, o que “obrigou” a Konami a dar mais atenção aos pormenores das caras dos jogadores. E aumenta porque o PES está mais fluido, mais feito para a partida rápida ocasional (apesar das novas opções tácticas) e o Fifa está mais lento, mas mais realista nos movimentos dos jogadores.

O qué’qué isso oh meu?

Os comentários em Português de Fifa 10 arrumam a um canto o esforço da Konami de incluir, pela primeira vez, a língua de Camões no PES. Mesmo com erros de sincronização (estamos a ganhar e eles insistem que estamos a passar por dificuldades) os comentários made in EA são claramente melhores do que a dupla Pedro Sousa (SportTV) e João Vieira Pinto, no PES. A diferença pode estar na existência ou não de um guião, que a EA garante não ter enviado aos seus comentadores. No caso do Pro Evolution, os comentários de Pedro Sousa soam “demasiado perto” dos comentários … em inglês. Já João Pinto tem tiradas humorísticas fantásticas tanto pelo conteúdo do texto como pela clara noção de que o comentador está a ler.

Eu vi a luz!

A versão do jogo que pudemos jogar foi a da PS3 e em ambos os jogos os gráficos estão irrepreensíveis, com vantagem para o PES, que levou bem a sério o novo desafio da Liga Europa.

Chega pra'lá!

O drible a 360 graus sente-se apenas no Fifa, apesar de ser uma das características anunciadas pela Konami. No Fifa as colisões e a movimentação geral dos jogadores está melhor, mas acaba por perder na inteligência artificial dos jogadores, que ficam parados demasiadas vezes, o que chega a ser irritante.

Como modos próprios, a EA tem o já tradicional Manager mode e o novo Live Season que permite jogar (um campeonato custa mais 5 euros ) com os dados e estatísticas actuais dos campeonatos. No PES, as novas possibilidades de definir tácticas ganham relevância , bem como o modo Comunidade, ideal para a tradicional “pesada” dos amigos lá em casa, já que guarda os dados de todos os jogos feitos entre um grupo de amigos.

in Jornal I

Um campeão esquecido


Treinador português no activo, foi campeão nacional e não foi falado para o Sporting, ao contrário de muitos. Quem? Jaime Pacheco. O homem que levou o Boavista ao título está longe, no Al-Shabab (Arábia Saudita), a ganhar dinheiro mas a massacrar os gostos. Perdeu a observação da beleza feminina, perdeu o tinto e a cerveja, perdeu Portugal. Só não perdeu a verdade, nem ao telefone.

domingo, 15 de novembro de 2009

Viva o Socialismo!!

Há certas histórias que, tendo em conta a agitação geral, passam relativamente despercebidas. É o caso de uma contada pela revista do "Correio da Manhã" (Família Milionária recebe agora rendimento mínimo): uma família que teve a sorte de acertar no totoloto, ganhando 600 mil euros, vive hoje de subsídios do Estado.
Como aconteceu?