Os telefones não param, as deslocações de carro multiplicam--se, as reuniões não têm conta. José Eduardo Bettencourt está a ultimar o modelo de fénix que pretende criar para ver o Sporting renascer das cinzas. E já há mais certezas do que incógnitas - se tudo correr bem nas negociações, André Villas Boas será o novo técnico do Sporting e Ricardo Sá Pinto, conforme o i avançou no início da semana, ficará a comandar o futebol.
Segundo o i apurou, o actual treinador da Académica esteve sempre na lista de possíveis sucessores de Paulo Bento (já tinha sido sondado no final da última época) mas, numa primeira fase, o interesse sofreu um revés quando Villas Boas deu a entender que não pretendia dar já um passo tão grande na curta carreira (como técnico principal, só fez quatro jogos). Foi aí que nomes como Manuel José, Manuel Machado ou Cajuda foram ponderados - se o jovem treinador decidisse continuar em Coimbra, a opção recairia na experiência.
As etapas foram passando e, ontem, todos admitiam o óbvio: a mudança de posição do discípulo de Mourinho. Cajuda foi sondado de forma oficiosa por um elemento dos lisboetas, da mesma forma que Adriaanse e Juande Ramos fizeram saber as condições pessoais para virem para Alvalade. Passo seguinte: escolher. E foi aqui que acabou por ganhar a facção Villas Boas.
Cientes do erro cometido no Dezembro quente de 2000 - o treinador campeão, Augusto Inácio, foi demitido e os sócios invadiram uma conferência de Luís Duque, líder da SAD, por não quererem o técnico do rival Benfica, um tal José Mourinho -, os responsáveis acreditam que o comandante dos estudantes tem o perfil indicado para dar arranque ao novo ciclo do futebol leonino. E não querem perder a oportunidade de assegurar um valor que entrou no mundo do futebol de forma atípica: como era vizinho de Bobby Robson, na altura treinador dos portistas, Villas Boas entregou uma série de dados estatísticos ao inglês, que os passou ao adjunto Mourinho e assim abriu caminho a uma relação que acabou no passado mês (com passagens por FC Porto, Chelsea e Inter).
Detalhes Faltam definir pormenores como a compensação à Académica ou os adjuntos (falam-se de alguns nomes para adjunto como Litos, Filipe Ramos ou Carlos Xavier). Ordenado não constituirá problema: ganha menos do que o antecessor (cerca de 700 mil euros). Entre hoje e amanhã, os quatro elementos da equipa técnica de Bento - que já foram informados da dispensa oficial - darão o último treino em Alcochete. É o derradeiro capítulo de uma era. Que foi boa. Abre-se outra que, de nome, também pode ser.
in Jornal I
Longe vão os tempos em que tinhamos de ganhar a vida a pulso e ter de mostrar provas antes de assumirmos cargos importantes. Hoje isso já não importa, basta estar associado a um nome ou empresa de sucesso, ter boa figura e ter a sorte de estar no momento certo à hora certa. Este jovem em que a Briosa decidiu apostar conseguiu recuperar, de momento, a moral de uma equipa e conquistar os primeiros pontos para a mesma, mas o certo é que apenas fez 4 jogos, ganhou 2, empatou 1 e perdeu o outro. Se isto é suficiente para ir treinar o Sporting, os sportinguistas saberão, mas desde já, caso o André aceite o cargo, desejo-lhe uma caída igual à ascensão. Pode que assim aprenda para o futuro.


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